MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Lula discursa no Fórum Sexual Mundial das 600 mil camisinhas


Lula discursa no Fórum e diz que "Deus mercado" quebrou por irresponsabilidade

Rodrigo Bertolotto

Enviado Especial do UOL Notícias

Em Belém (PA)

30/01/2009 - 02h52

O Fórum Social Mundial sempre teve como alvo o neoliberalismo. E não foi diferente na reunião dos cinco presidentes sul-americanos nesta edição de 2008, em Belém. Lula recebeu no centro de convenções Hangar os colegas Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai) para discutirem os novos rumos após a crise global que começou em setembro último.

"O Deus mercado quebrou por irresponsabilidade. Os yuppies de Wall Street ficavam calculando os riscos de nossos países e agora estão pedindo socorro aos Estados", sentenciou Lula diante de uma plateia de mais de três mil pessoas ovacionando (gritos de "olé, olé, olá, Lula, Lula), com bandeiras do PT, CUT e até uma faixa de apoio ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). E o mandatário brasileiro ainda provocou: "Quero ver se o FMI vai dizer para o Obama como salvar os EUA agora."

Lula aproveitou o lema do Fórum ("um outro mundo é possível") e parafraseou: "É necessário, é imprescindível." Logo afirmou que é necessário um controle sobre o mercado financeiro, que só deve emprestar para quem produz.

Ele disse ainda que os presidentes ali presentes eram parte da luta da esquerda ao longo das últimas décadas. "Guardem essa fotografia, somos os que ousaram não concordar com os regimes. O que nós conquistamos foi resultado das mortes de muita gente que pegou em armas para derrubar regimes autoritários. Estamos fazendo parte daquilo que eles sonharam", falou Lula, que comparou a crise do mensalão de 2005 com as campanhas de mídia contra Chávez.

Já Chávez repetiu em partes o discurso que fizera à tarde diante dos movimentos sociais em Belém. Falou que a América Latina tinha abandonado a época em que era "um grande laboratório para o veneno do neoliberalismo" e tinha despertado "como um grande Lázaro". Ele disse ainda que o socialismo é a única forma de "salvar a vida humana" e que a Venezuela está "na posição de vanguarda" "nesse grande movimento popular."

Cada presidente deu um show de oratória diante de uma plateia embevecida - só um grupo vindo de Fortaleza (Ceará) que se autodenomina Crítica Radical esboçou um coro contra Lula, Chávez, Obama e o capitalismo, gritando "O capitalismo é para morrer, não adianta o Estado socorrer." Saiu do local após chuva de bolinhas de papel.

Já o presidente equatoriano, Rafael Correa, discursou que se deve "sepultar o capitalismo para ter oportunidade de criar um novo mundo." Aproveitou para alvejar o Fórum Econômico Mundial, que acontece quase simultaneamente em Davos (Suíça). "Aquilo é um terapia para moribundos nos Alpes. Mas a crise afeta a todos. Enquanto eles só se despenteiam, vão querer depois desequilibrar nossos regimes. Temos que ficar atentos."

Correa insistiu na criação de uma moeda e de um banco regional e pregou a construção de um socialismo "justo e eficiente". Seu discurso foi tão longo e o calor tão forte no recinto paraense que uma senhora na plateia desmaiou.

Já o boliviano Evo Morales agradeceu aos movimentos sociais que estavam ali e disse que eles o ensinaram muito. "São meus professores. É porque vocês despertaram que hoje temos estes presidentes."

Já o ex-bispo e atual presidente do Paraguai, Fernando Lugo, lembrou da primeira vez que foi a um Fórum Social, em 2003, indo de ônibus de Assunção até Porto Alegre. "Hoje eu volto como presidente para acabar com essa falácia que é dizer que não há alternativas neste mundo." Depois, o paraguaio citou as divergências com o Brasil pela energia da hidrelétrica binacional de Itaipu, o que causou silêncio na plateia.

No seu discurso final, Lula citou essa divergência e mais as que o Brasil teve com Morales (pelo gás) e com Correa (por dívida com empreiteira brasileira). "Temos divergências, mas temos respeito para sentar à mesa e discutir", sentenciou.