MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

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Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Deterioração dos mercados emergentes


Deterioração rápida dos mercados emergentes surpreende investidor

Autor(es): Joanna Slater e Antonio Regalado, The Wall Street Journal, de Nova York e São Paulo
Valor Econômico - 10/02/2009

A crise mundial está atingindo as economias emergentes com uma rapidez e ferocidade que poucos imaginavam possíveis alguns meses atrás.

Até recentemente, muitos investidores e economistas acreditavam que esses países forneceriam um refúgio contra o colapso do crescimento nos países ricos. Em vez disso, uma série de dados sugere que, como um grupo, as economias emergentes na verdade se contraíram no fim do ano passado, e podem ainda estar encolhendo.

A velocidade da mudança pegou as autoridades e os investidores de calças curtas. Em questão de meses, números de comércio exterior e produção industrial de uma série de países foram de passável a em queda livre. Até a demanda interna está sofrendo. As economias asiáticas tiveram os declínios mais acentuados, mas a escorregada é evidente da América Latina ao Leste Europeu.

Taiwan informou ontem que as exportações tiveram uma queda recorde em janeiro, de 44% em relação ao mesmo mês do ano passado, o que as levou a um nível que não se via desde 2005. Na semana passada, o Brasil apresentou números de produção industrial em dezembro que mostraram uma queda histórica de 12,4% em relação ao mês anterior, chocando o país e forçando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a tentar acalmar os nervos. Na Coréia do Sul, o declínio da produção industrial de dezembro em relação a um ano antes foi o maior desde que o país começou a registrar o indicador.

"A magnitude da deterioração é simplesmente dramática", diz Amer Bisat, da firma de investimento nova-iorquina Traxis Partners. "Estamos continuamente tentando acompanhar os dados, e as revisões para baixo que continuam a surgir, numa velocidade que para mim é sem precedentes."

Os números sombrios deixaram as divisas de muitos mercados emergentes sob pressão. Até sexta-feira, o won sul-coreano havia perdido 8% de seu valor em relação ao dólar no ano, enquanto o rublo russo e o florim húngaro haviam se desvalorizado 15% diante da moeda americana. Na semana passada, o peso mexicano bateu em seu nível mais baixo da história em relação ao dólar, o que levou o governo a intervir no mercado de câmbio.

Os dados sugerem que as bolsas dos mercados emergentes podem ter mais quedas pela frente. Depois de cair mais de 50% em 2008, o Índice MSCI de Mercados Emergentes acumulava até sexta-feira uma queda de 2% no ano, superando o desempenho do índice Standard & Poor's de 500 ações. O desempenho foi bastante variado, da alta de mais de 10% no Brasil e na China à queda de 10% na Rússia.

Os mercados emergentes estiveram longe do epicentro da atual crise financeira, e seus sistemas bancários são relativamente saudáveis. Mas eles sofrem com uma série de problemas: declínio das exportações, menores fluxos de capital e queda nos preços das commodities. A demanda interna também está dando marcha à ré.

Isso desafia a visão bastante comum de que esses países podem amortecer o desaquecimento mundial. "Isso é coisa do passado agora", diz David Hensley, um economista do J.P. Morgan Chase em Nova York.

O J.P. Morgan prevê que pelo menos 11 economias emergentes - entre elas Coréia do Sul, Taiwan, Rússia, Turquia e México - vão encolher em 2009, com outras 4 apresentando estagnação.

O Brasil é a mais recente demonstração da rápida reversão das coisas nos mercados emergentes. No mês passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, previa "bons resultados econômicos" e crescimento do PIB de 4% em 2009. Mas as projeções de economistas privados estão em queda livre, e muitos agora preveem crescimento zero ou muito pequeno este ano.

Thomas Lee, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos, diz que as vendas de tornos mecânicos e prensas estão 30% abaixo dos níveis normais, a maior queda que ele presenciou em 15 anos. "Não há necessidade para novas máquinas, porque a produção está diminuindo", diz. A maior parte das máquinas é vendida para a indústria automobilística, cujas vendas caíram cerca de 30% desde setembro.

Mesmo assim, a Bovespa subiu 12% este ano. "Todo mundo sabe que quanto pior fica a economia, mais o banco central corta os juros", disse Geoffrey Dennis, estrategista de ações latino-americanas do Citigroup.

"O importante é a duração da recessão, não a profundidade. Enquanto as pessoas puderem enxergar a recuperação no fim do túnel, vão apostar nisso."

Economistas e outros dizem que o cenário para os mercados emergentes pode melhorar no segundo semestre. Os mercados emergentes "sofrerão juntamente com todo mundo, não há dúvida", diz Antoine van Agtmael, que supervisiona US$ 8,6 bilhões na firma de investimentos Emerging Markets Management. Mas eles "vão voltar ao caminho do crescimento mais rapidamente do que os mercados maiores".

Um obstáculo agora é que pode ser mais difícil contar com as exportações para o mercado americano, algo que ajudou os países asiáticos a se recuperar relativamente rápido na crise financeira do fim dos anos 90.

A lacuna do consumidor americano é um problema que o México enfrenta. A previsão é que sua economia, que depende fortemente das exportações aos EUA, deve contrair de 0,5% a 2% este ano, segundo economistas. A confiança do consumidor já bateu recorde de tão baixa.

(Colaboraram Laura Santini, David Luhnow e Evan Ramstad)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/2/10/a-rapida-deterioracao-dos-emergentes