MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Crítica a artigo de FHC


Crítica a artigo de FHC

Prezada Profª Sandra Cavalcanti.

Muito obrigado pelas suas generosas palavras e quanto a suas observações sobre o PSDB concordo plenamente.

Atenciosas saudações liberais,

Álvaro P. de Cerqueira

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Prezado Professor, faço minhas as suas observações sobre o artigo do Presidente Fernando Henrique. Na realidade, o que salvou o Brasil a partir do Real e do Proer foi o grupo de economistas ligados ao Ministro Pedro Malan, esse sim, um autentico liberal. Também achei o artigo confuso e hesitante, essa mesma indecisão que sempre impediu o PSDB e a maioria de seus integrantes de se livrarem desse ranço socialista, que não permite que eles se integrem na moderna visão do papel do Estado.

Parabens. Sandra Cavalcanti.

***

Sr. ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso,

Hoje li seu artigo no Estadão, em que atribui a culpa da crise ao "deus mercado" e ao capitalismo, e recomenda mais regulação daquele. E ainda se refere à falácia da "mais valia" de Marx como se fosse válida. Como sabemos, a "mais valia" se baseou no errôneo conceito de 'valor dos bens' -- que seriam função do custo de produção, aí incluída a mão de obra empregada, erro em que até Adam Smith e David Ricardo incorreram, e em que Marx se baseou para inventar a 'mais valia'. Mas a Escola Austríaca de Economia, com Karl Menger e Eugen von Böhm-Bawerk, provaram que o valor de um bem é dado apenas pelo soberano julgamento do consumidor, nada tendo a ver com o custo da mão de obra e outros para produzí-lo. E essa teoria de custo marginal virou a base do conceito moderno de Marketing.

Com isso, V. Sa. culpa o capitalismo e exime de culpa Lord Keynes, com sua 'Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda', de 1936, que recomendou que o estado gastasse quando houvesse recessão e demprego, para estimular a atividade econômica e a criação de emprego. Como neokeynesiano, V. Sa. desdenha da advertência de Friedrich Hayek, também da Escola Austríaca, como V. Sa. bem sabe, a seu colega Keynes, de que após um breve surto de crescimento da economia, esses gastos do estado trariam posterior inflação, mais recessão, e desemprego ainda maior do que antes. Coisa que se comprovou empiricamente nos anos 70, com o que se chamou de 'estagflação', misto de inflação e estagnação econõmica.

O curioso é que Keynes, antes de morrer (1946), confessou a Hayek, seu colega na Cambridge University, que reconhecia o seu erro apontado por ele. Mas os neokeynesianos, como já se disse, costumam ser mais keynesianos do que o prório Keynes e insistem nesse grave erro de políticas públicas. Que, aliás, está sendo repetido pelos governantes europeus, asiáticos, o foi por Bush e agora por Barack Obama. Infelizmente o mercado cobrará seu preço, pois a inflação é um perverso imposto, pesando mais no bolso dos mais pobres, com alongamento da crise, cuja curva, em vez de em forma de V, será em forma de U, com a base dessa letra bastante mais comprida.

É claro que a farra de crédito foi aproveitada pelos banqueiros, com alavancagem estratosférica, pois a Fannie Mae e a Freddie Mac, fundada pelo Presidente Roosevelt em 1938 e estatizada pelo Presidente Johnson, estavam aí mesmo para comprar qualquer quantidade de subprimes e incorporá-las às suas carteiras, pois têm linhas de crédito diretas do Tesouro a juros inferiores aos do mercao. Portanto, Sr. ex-Presidente, o vilão da história foi o Fed e o governo americano, este com a legislação absurda de longo financiamento da casa própria a juros abaixo do mercado, desde 1913, quando o Fed foi criado. Quem precisa ser regulamentado é o Estado e não o mercado. Rogo ler meu artigo anexo 'Crise do Capitalismo?...'. Muito obrigado.

Saudações libertárias,

Álvaro P. de Cerqueira
Adm. pela FGV-SP (1962)
Co-fundador do Instituto Liberal de MG (1987-1997)
Belo Horizonte, MG