MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A crise mundial, segundo Álvaro P. de Cerqueira

Crise mundial

Prezado Prof. Ladislau Dowbor (cc: Prof. Antônio Corrêa de Lacerda e a Globonews)

Vi hoje sua entrevista no "Entre Aspas" da Globonews. Permita-me observar que o senhor, como muita gente importante, labora em erro sobre a verdadeira causa da crise. Tal como a grande depressão de 1929, ela não é uma "crise do capitalismo", mas uma crise do intervencionismo do estado na economia. Que começou em 1913, com a criação do FED, o Banco Central Norte Americano.

O presidente Hervert Hoover, nos anos 20, com suas políticas errôneas de incentivar a criação de emprego alterou o funcionamento do mercado, com gastos inflacionários. A criação de dinheiro do nada pelo FED, com os créditos para compra da casa própria a juros subsidiados, criou o castelo de cartas na Bolsa de Nova York.

Eleito o presidente Roosevelt, este aplicou o falacioso keynesianismo, não ouvindo a advertência de F. Hayek de que gastos do governo para incentivar a atividade econômica trariam um surto de crescimento, mas seguido de inflação e nova queda da atividade e mais desemprego do que antes. O New Deal só não fez disparar logo a inflação porque os EUA entraram na II Guerra Mundial no final de 1941 e viraram o empório da Europa, tendo a economia americana, ou seu PIB, crescido 6 vezes no período da guerra e escondeu a inflação.

Mas em 1938 Roosevelt criou a Fannie Mae e a Freddie Mac, que embora privadas tinham linha de crédito direto do Tesouro americano a juros subsidiados para financiar hipotecas imobiliárias. Anos mais tarde o presidente Johnson estatizou as duas companhias, mas estas venderam ações na bolsa e os americanos achavam que elas eram privadas. Nos anos 70 a inflação keynesiana virou a "estagflação", agravada pelo primeiro choque do petróleo.

Como se vê, o mercado cobrou o preço do intervencionismo errôneo do estado. Nixou acabou com o que restava do padrão ouro e mais tarde Greenspan assumiu o FED, baixando a taxa de juros para 1% por 6 anos e meio. Estava feita a lambança. Os bancos americanos começaram a financiar volumes cada vez maiores de hipotecas, pois sabiam que Fannie Mae e a Freddie Mac comprariam qualquer quantidade de subprimes, ou hipotecas de segunda mão. Vem Bush e gasta como louco em duas guerras, Afeganistão e Iraque, mandando o déficit americano para a estratosfera. E o castelo de cartas de 1929 se rearmou. Aí veio o estouro da boiada, que já envolvia a Europa e a Ásia. A crise de confiança se instalou e veio o outubro negro em 2008. Vem Obama e vira keynesiano, como Roosevelt. Imprimir dinheiro para comprar hipotecas podres, estatizar bancos e investir em infraestrutura (neste caso, Obama), como fizeram os países da zona do Euro e o próprio EUA é apagar incêndio com gasolina. Isto só vai prolongar a crise, que em vez de uma curva em V terá uma curva em U, com a base dessa letra bem comprida.

Então, repito, não é uma crise do capitalismo, mas do indevido intervencionismo no mercado. Então o que o senhor disse, culpando o "fundamentalismo do mercado" não procede. O que é preciso não é regulamentar o mercado, mas o estado, o verdadeiro vilão da crise.

Sugiro V. Sa. e os demais a visitarem o site do Ludwig von Mises Institute, de Auburn, Alabama, USA onde se pode ver todo o mapa da situação.

S.M.J.

Cordiais saudações libertárias,

Álvaro P. de Cerqueira