MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Crise do capitalismo?...


Crise do capitalismo?...

Análise escrita por Álvaro Pedreira de Cerqueira, em 14/02/2009.

"Há limites para o bem que o Estado pode fazer à sociedade. Mas não para o mal que pode fazer" (Ludwig von Mises).

De acordo com Ludwig von Mises (1881-1973), da Escola Austríaca de Economia, o intervencionismo do Estado no mercado não realiza os seus fins pretendidos. Em vez disso, ele altera o mercado. E aquela distorção precisa de ajuste. O resultado é mais distorção, conduzindo a mais intervenção e à concomitante estagnação causadora muitas vezes de falência de negócios. Uma prova atual é a causa da presente crise econômica que assola a economia mundial. O presidente Herbert Hoover, dos Estados Unidos, de 1929 a 1933, fez intervenções no mercado, com gastos públicos para tentar aumentar o nível de emprego, que resultaram em inflação, agravada pelos juros baixos demais para financiamento da casa própria, expandindo imoderadamente o crédito bancário, que resultaram na formação de um verdadeiro castelo de cartas nos investimentos especulativos na Bolsa de Nova York, que resultaram em sua quebra em 1929, levando os Estados Unidos e o mundo à maior depressão econômica da história.

Eleito o presidente Franklin Roosevelt em 1932, este aplicou as idéias do economista inglês Lord John M. Keynes, (Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, de 1936) que recomendavam que o Estado deveria gastar em investimentos para reanimar a atividade econômica reduzida e promover o aumento da taxa de emprego. O Prof. Friedrich Hayek, ex-aluno do Prof. Ludwig von Mises na Escola Austríaca de economia, e colega de Keynes na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, avisou que os elevados gastos estatais trariam inflação, nova queda na atividade e novo surto ainda maior de desemprego. Tal não ocorreu logo porque estorou a segunda Guerra mundial, em 1939, e os Estados Unidos, que só entraram na guerra no fim de 1941 após o bombardeio japonês à Base Naval americana em Pearl Harbour, no Havaí, passaram a fornecer à Europa não só armas, munição, veículos e soldados, mas aviões, tanques de guerra, petróleo, alimentos vestuário e remédios. Como resultado, o PIB americano cresceu 6 vezes no período da guerra, de 1941 a 1945, escondendo a inflação.

Em 1938 o presidente Roosevelt criou duas empresas de financiamento da habitação a juros reduzidos (nova intervenção no mercado), a Fannie Mae e a Freddie Mac, para financiar hipotecas garantidas pela Federal Home Administration. Elas foram usadas por cada presidente que sucedeu a Roosevelt como um meio de realizar este estranho valor americano de que cada cidadão deve possuir uma casa, não importa quem. Assim, deram permissão legal a essas duas companhias de comprar hipotecas privadas e incorporá-las às suas carteiras, as subprimes, ou hipotecas de segunda mão. Mais tarde, nos governos dos presidentes Lyndon Johnson e Richard Nixon, elas foram estatizadas, ou transformadas em empresas públicas, e venderam ações nas bolsas. As pessoas chamaram esta venda de ações de privatização, mas isto é falso. Elas continuaram estatais e com o mesmo acesso a uma linha garantida de crédito junto ao Tesouro dos Estados Unidos, com direito a taxas de juros mais baixas do que qualquer de suas concorrentes do setor privado.

Nos anos 70, a inflação prevista por F. Hayek ocorreu, virando o que se chamou então de “estagflação”, misto de estagnação econômica e inflação. Depois da crise do primeiro choque do petróleo dos anos 70, em que os árabes da OPEP decuplicaram os apreços do petróleo, o presidente Richard Nixon acabou com o que restava do padrão ouro para regular a moeda americana, o dólar, e adotou o câmbio flutuante. Os Estados Unidos estavam então com inflação elevada, tendo o Fed, Banco Central americano, subido a taxa de juros para compra de títulos do Tesouro para 6% ao ano, numa política monetária para controlar a inflação. Mais tarde o Fed, sob a presidência de Alan Greenspan, abaixou a taxa de juros dos fundos federais de 6 % em Janeiro de 2001 para 1 %, até junho de 2004, por cerca de 3 anos e meio, portanto, causando uma explosão inusitada dos empréstimos hipotecários. Sem a baixa agressiva e prolongada das taxas de juros pelo Fed, os empréstimos hipotecários não poderiam ter explodido daquela maneira.

A frouxidão monetária adubou o terreno para várias atividades falsas que não teriam sido viáveis sem aquela facilidade. Mesmo se as autoridades tivessem mantido controles fortes sobre os empréstimos hipotecários, enquanto ao mesmo tempo criavam dinheiro “do ar rarefeito”, como escreveu Frank Shostak em artigo de 29.09.2008, “e os excessos teriam surgido em algum outro setor”. Os bancos acabariam tendo ativos ruins não-hipotecários. A política frouxa do Fed é o ponto crucial do problema. Assim, antes que culpar os sintomas, o que é necessário é “deixar o mercado trabalhar e fechar todos os buracos que permitem a criação de dinheiro e crédito a partir do nada", como defende Shostak. Mas o presidente Bush decidiu emitir mais dinheiro falso, mais de 700 bilhões de dólares, para o resgate das hipotecas podres. E o presidente Barack Obama pediu ao Congresso mais 850 bilhões de dólares para gastar com investimentos em infra-estrutura e outros investimentos, numa repetição do New Deal (novo acordo) do presidente Roosevelt. É sempre assim, intervenção do governo traz problemas e as autoridades acham que o remédio é mais intervenção, como ensinou von Mises, jogando sempre a conta para os pagadores de impostos pagar. Eles juram que qualquer outra opção seria devastadora para o já sofredor mercado de habitação.

A razão deste setor estar tão selvagemente inflado é que os bancos sabiam que a Fannie Mae e a Freddie Mac seriam capazes de comprar qualquer dívida de hipoteca criada pelo sistema bancário. O resultado está no pânico que tomou conta dos mercados mundiais, e Lula achou que chegará ao Brasil apenas u’a marolinha e não o tsunami que atingiu a Europa e a Ásia em 6 de outubro, a "segunda-feira negra", corno foi chamada. Mas veja o leitor que não estamos falando sobre o fracasso do mercado. A imprensa e o governo americano estão se esforçando para culpar desta calamidade os tomadores de empréstimo privados e os emprestadores, os bancos. Mas a origem dessa tragédia é a legislação federal americana. Essas duas companhias, Fannie e Frddie, não são entidades de mercado. Elas foram por muito tempo garantidas pelo Tesouro, ou seja, pelos pagadores de impostos. Segundo Llewellyn H. Rockwell, júnior, presidente do Ludwig von Mises Institute, do Alabama, EUA, elas também não são entidades socialistas, porque têm acionistas privados. "Elas ocupam um terceiro status para o qual há um nome: fascismo", diz ele em um artigo de 14.07.2008. Realmente, é sobre isto que estamos falando: a tendência inexorável do fascismo financeiro para transformar-se em socialismo financeiro na sua plenitude, que acaba em bancarrota, em falência, que resultou na Grande depressão de 1929.

Ainda para este mesmo autor, intervenção do governo no mercado parece-se com um frasco de veneno que se despejasse no sistema de distribuição de água potável de nossa cidade. Poderíamos sobreviver com ele durante um longo tempo e ninguém parecer ficar envenenado. Um dia acontece que todo mundo fica doente, e a culpa não é do desconhecido veneno, mas da própria água. Assim aconteceu com a atual crise da habitação. Os emprestadores estão sendo culpados do fiasco inteiro, e o capitalismo está sendo submetido a uma surra como de hábito, desde que a Freddie e a Fannie estão sendo vendidas (suas ações) em mercados públicos. Mas a causa real permanece, e há só uma razão para a crise que se agravou a esse ponto. A causa está naquele frasco de veneno do governo, chamado intervencionismo. Corno ensinou Ludwig von Mises nos anos 20 do século passado. E acrescento, imprimir dinheiro para comprar duplicatas podres, nacionalizar para salvar bancos, investir em infraestrutura para criar empregos é apagar incêndio com gasolina. Só vai prolongar a crise, fazendo sua curva em vez de ser em forma de V, ser em U, com a base dessa letra bem comprida. E a maior parte da conta será paga pelos mais pobres, pela inflação.

Fonte: http://www.if.org.br/analise.php