MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Comentário semanal do coronel Gelio Fregapani

Comentário da semana‏

De: geliofregapani (geliofregapani@uol.com.br)
Enviada: terça-feira, 3 de fevereiro de 2009 21:36:24

Comentário da semana nº 22 - 03 de fevereiro de 2009

Este comentário segue atrasado por motivo de viagem.

Assuntos: Manifestação, WWF, Divisões internas, Erro do Governo, Protecionismo

AOS MEUS CORRESPONDENTES

Manifestação indígena contra a homologação contínua

Os índios contrários a retirada dos demais brasileiros que haviam ocupado a sede da Funai em Boa Vista (RR) demonstraram que não são os índios que querem a demarcação contínua . Querem que a Funai compre 60 passagens para que eles possam ir a Brasília dizer isto aos ministros do STF, como se eles não soubessem.

Os índios ligados ao CIR já estão sentindo na pele a crise: Chegam notícia de que, secando os recursos das ONGs, sete deles já morreram de beri-beri, o que indica carência alimentar. O demais índios certamente observam e tiram suas conclusões sobre o futuro, quando acabar a produção agrícola. O min. da (In)justiça e o relator no STF, além de traidores da Pátria, um dia talvez sejam conhecidos como genocidas, caso a fome dizime aquela pobre gente.

O dúbio gov. de Roraima, Anchieta Júnior, certa vez declarou que "Se houve conflito, será entre os índios, porque não havia unanimidade entre eles para uma reserva em área contínua". Ainda pode ser verdade, mas entre os índios há tendência a alguma unanimidade - contra a homologação. O governador se esforça por esvaziar a manifestação da SODIUR, ainda não sabemos se é o preço de sua permanência no cargo, face a diversas suspeitas.

O Jogo da WWF

As multinacionais da soja decidiram, a pedido da WWF, não comprar a soja produzida na Raposa, por ser "área em litígio". É pouco mais de 3.000 toneladas. A Venezuela, interessada, decidiu também não comprar para não criar litígio com o gov. brasileiro, sabe-se lá a pedido de que ministro.

Divisões internas

Maldição a quem recordar-nos de nossas dissensões passadas (Marquês de Caxias, 1845 após a revolução Farroupilha).

Inspirado em Caxias, insisto em que se evite a divisão entre nós reavivando antigas cicatrizes. Não importa agora quem se excedeu. Temos uma Pátria comum a defender. Vislumbro na manobra de punir os militares que atuaram na repressão, o objetivo de manter o PT coeso em torno do nome de Tarso Genro na disputa com Dilma para a próxima eleição. Sugiro aos meus companheiros de farda que não entrem na jogada pois a retalhação só lhe daria força. Também vislumbro no asilo ao assassino Batisti uma manobra para galvanizar em seu benefício (face a reação desaforada da Itália) os brios da soberania nacional. Pergunto quem é este traidor, cujos atos podem dividir o País, para falar em soberania.

Quanto ao Oriente Médio, que as divisões não cheguem até nós. É guerra, e "A guerra é o tribunal supremo ao qual recorrem os povos que se julgam injustiçados" (Plácido de Castro)

O Grande erro do gov. Lula

O governo do presidente Lula aproxima-se do fim. Incontestavelmente foi menos ruim do que os precedentes, mas teve erros graves. Sem esquecer os acertos (interromper as desnacionalizações do FHC, por exemplo), O Presidente Lula será lembrado por seus adversários pela corrupção, pelo crescimento da violência, pela excessiva carga tributária, mas isto tudo também, em maior ou menor grau teve nos anteriores e terá no próximo

Seu grande erro foi ter dividido a sociedade em função das etnias, o que ainda nos custará sangue, se não chegar a esfacelar o nosso País. Isto, por si só, pode torná-lo, face a História, o pior dos presidentes, a ser amaldiçoado pelas gerações futuras.

Amazônia; o alvo na guerra da quarta geração

O que já foi feito:

Identificação das jazidas minerais brasileiras;

Missões Religiosas reunindo Índios sobre as jazidas;

Criação de um sentimento étnico de Nação diferenciada, onde não existia.

Pagamento da demarcação e convencimento ao governo para homologar;

Colocação na Constituição que Leis e Tratados Internacionais quando aprovados pelo Brasil têm força de Constituição, acima dasLeis;

O que ainda não foi feito (e nem será, se Deus for bem servido).

Conseguir aprovação no Congresso, da Convenção dos Direitos dos povos indígenas

Retirada da população brasileira das reservas indígenas

Buy american

A maioria dos líderes mundiais condena o protecionismo americano, baseado na orientação de que seu governo e seus cidadãos dêem preferência aos produtos produzidos nos EUA por firmas americanas.

Por mais que eu saiba serem os EUA nossa principal ameaça, São medidas como estas que devemos copiar. Da modéstia de minha opinião, concito aos meus compatriotas a darem preferência, pelo menos em caso de competitividade, aos produtos nacionais produzidos por firmas nacionais.

Para arrematar, envio um artigo escrito há algum tempo atrás,

Saudações patrióticas

Na próxima semana trarei novas informações

GF


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APRENDENDO COM UM AMERICANO

Adam Smith, o celebrado autor de "A Riqueza das Nações", anteviu a vitória dos insurretos na Guerra da Independência norte-americana, onde os donos de lojas, mercadores e advogados estavam se transformando rapidamente em soldados, estadistas e legisladores, e sentiu claramente que eles poderiam vencer e, se vencessem, haveriam de formar um vasto império. Smith estava certo, e entre esses homens estava um certo Alexander Hamilton, um herói entre os que fariam surgir os Estados Unidos da América e um gigante entre os que os tornariam um grande império.

Sem dúvida Alexander Hamilton era um homem de ação. Trabalhou num armazém aos 11 anos de idade sem parar de estudar, e depois num jornal. Aos 15 panfletava para a revolução americana. Aos 18 entrou para o Exército, lutando ao lado de Washington. Distinguiu-se por bravura. Terminou a guerra como general e foi ser o Secretário do Tesouro da nova nação. Faleceu tragicamente aos 47 anos, mas provavelmente fez mais que qualquer outra pessoa para a formulação das políticas iniciais que resultaram na grandeza dos Estados Unidos, e sua influência persiste até hoje. Entre os livros e artigos que escreveu, destaca-se o "Relatório sobre as Manufaturas", que, distribuído a cada um dos congressistas, se transformou no livro texto da economia norte-americana.

Ao término da luta, os Estados Unidos estavam com a economia arrasada. A Inglaterra, tendo perdido a colônia, tentava manter o domínio econômico, lá colocando seus produtos. Isto era desejado por uma elite ligada ao estrangeiro e por muitos que desejavam comprar barato, seja lá de onde for. A oposição veio do Secretário do Tesouro. Hamilton propôs em seu "Relatório sobre as Manufaturas" que se reservasse o mercado norte-americano apenas para os produtos nacionais, mesmo a preço desvantajoso. Dizia ele: Os Estados Unidos não podem competir em igualdade de condições com a Inglaterra, que já estabeleceu industrias há muito tempo. Manter uma competição em termos justos entre estabelecimentos recentes de um país e os amadurecidos de outra nação (...) é na maioria das vezes impraticável, sendo indispensável protegê-los com isenção de impostos, subsídios e restrições às importações.

Hamilton exemplificou dizendo que, se um arado fabricado na Inglaterra fosse comprado por ser melhor e mais barato que o feito nos Estado Unidos, isto mataria a indústria nascente e a dependência seria eterna. Que os produtos poderiam ser mais baratos, mas não haveria dinheiro para comprá-los pois não haveria empregos (estes seriam criados no exterior). Se, ao contrário, a concorrência fosse limitada aos produtos americanos, estes seriam desenvolvidos e dentro de cem anos os Estados Unidos venderiam esses produtos até para a Inglaterra.

Com a leitura desse livreto, os congressistas decidiram tomar medidas de proteção para as manufaturas locais, "para que eles tornassem os Estados Unidos independentes das nações estrangeiras quanto aos suprimentos de natureza essencial". Certamente isto foi a causa principal do progresso norte-americano.

Ainda outra vez a Inglaterra tentou dominar o mercado americano; ao término da Guerra da Secessão, quando a economia americana estava novamente arrasada e a indústria destruída, os ingleses ofereceram produtos baratos e crédito para os comprar. O país foi salvo então pelo presidente Grant, que havia lido o "Relatório sobre as Manufaturas" e impôs reserva de mercado.

Antes de Hamilton, outros já haviam praticado o protecionismo; A Inglaterra, por exemplo, só cresceu e se tornou uma potência mundial quando a rainha Elisabeth I determinou que somente navios ingleses pudessem transportar mercadorias da e para Inglaterra, e como todos os povos, depois de sobrepujarem aos demais virou a campeã do livre-comércio. Contudo, quem traçou os fundamentos teóricos do desenvolvimento de uma nação moderna foi Alexander Hamilton, e houve quem aprendesse com ele.

No final do século XIX, a Alemanha havia chegado a beira da ruína em função do livre comércio. Friedrich List sugeriu ao Chanceler Bismarck uma reserva de mercado para primeiro desenvolver as potencialidades da Alemanha. Segundo List. a insistência inglesa do livre comércio seria evitar que outros seguissem o seu caminho de desenvolvimento. Bismarck, adotando as idéias de Hamilton e List, ironizava a insistência inglesa do livre comércio dizendo que ela (a Inglaterra), depois de subir por uma escada (do protecionismo), queria retirá-la para evitar que outros seguissem o mesmo caminho

No nosso caso, historicamente só iniciamos a industrialização quando a II Guerra mundial interrompeu as importações, e retomamos o progresso com as reservas de mercado de Jucelino e dos militares. Nos últimos anos, o presidente neo-liberal destruiu tudo com a abertura da sua "globalização assimétrica" do Consenso de Washington.

Nos tempos que se avizinham, tudo indica que as vantagens relativas no nosso País tendem a perder o valor: A mão de obra barata terá menos importância, substituída pala tecnologia altamente capitalizada. Na medida em que a informação substitui cada vez mais a matéria prima a granel, só restará ao Brasil como cartas do grande jogo, seu mercado interno e alguns recursos estratégicos como o nióbio e o manganês. Foram exatamente o mercado interno e os recursos minerais que se cedeu ao estrangeiro, sem contrapartida.

Quanto à repetição orquestrada que a globalização é inevitável e vantajosa, nos parece como a estória da roupa nova do rei. Muitos viam, mas ninguém queria passar por ignorante dizendo que o rei estava nu.

Talvez seja impossível convencer as elites comerciais ligadas ao estrangeiro e esclarecer as massas ignaras que queiram apenas comprar barato, mas sempre podemos preferir os produtos nacionais, pelo menos quando forem competitivos em preço e qualidade. Isto poderia iniciar pelos postos de combustível até que fossem alijados os de bandeira estrangeira. Seria um primeiro passo.

- Que tal distribuir um "Relatório sobre as Manufaturas" para cada um dos nossos congressistas antes da decisão sobre a ALCA?

Obs.: Os textos foram enviados pelo coronel Gelio Fregapani. Não foi informada a autoria do segundo texto (F. Maier).