MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Vergonha de ser brasileiro


POR QUE, NESTE MOMENTO, DEVEMOS TER VERGONHA DE SER BRASILEIROS

Reinaldo Azevedo

A isso que se vê acima, Celso Amorim disse "sim". O Brasil não apenas votou contra a condenação do Sudão como foi um dos líderes do esforço para proteger os genocidas. A foto registra uma mulher dando início à construção de uma nova cabana depois que sua aldeia foi bombardeada pela Força Aérea sudanesa. Nesse ataque aéreo, Brasil não vê nada demais. Já são mais de 300 mil mortos e de três milhões de refugiados

Celso Amorim limpa os pés numa história até bastante virtuosa: a da diplomacia brasileira. Mais uma vez, a o Brasil vota contra Israel no tal Conselho de Direitos Humanos da ONU, uma biboca lastimável, como quase tudo que pertence a essa ONG cara e inútil, coalhada de ditaduras vagabundas e populistas ordinários.

Em dezembro de 2006, esse monturo que se diz Conselho de Direitos Humanos da ONU ficou reunido três dias para decidir se condenava ou não o governo do Sudão pelo massacre de Darfur. Isto mesmo: TRÊS DIAS. Duzentas mil pessoas já haviam sido assassinadas por milícias a mando do governo gorila do país. Os mortos, hoje, superam os 300 mil. Há nada menos de três milhões de refugiados.

E o que fez o Conselho de Direitos Humanos da ONU, hein? Transcrevo para vocês o relato de Jamil Chade, do Estadão, publicado então pelo jornal. Volto em seguida:

Depois de três dias de negociações, o Conselho de Direitos Humanos da ONU conseguiu aprovar por consenso uma resolução enviando uma missão de especialistas para avaliar a crise na região de Darfur, no Sudão, onde 200 mil pessoas teriam morrido em conflitos desde 2003. No entanto, por causa da oposição de países africanos e árabes, China, Cuba e Brasil, o documento não critica o governo do Sudão nem fala de responsabilidades pelo massacre. O acordo evitou que os países tivessem de votar entre uma proposta dos países ocidentais e uma africana, mais favorável ao Sudão. O consenso evitou uma saia-justa para o governo brasileiro. Brasília evitava apoiar a proposta dos países ocidentais e qualquer condenação ao governo do Sudão, apesar das indicações do envolvimento de Cartum no massacre.Pela proposta aprovada, cinco especialistas serão enviados à região para investigar a situação e propor medidas. No entanto, só anunciarão o resultado da missão em março. Houve forte reação de ativistas, segundo os quais 40 mil pessoas são obrigadas a deixar suas casas a cada semana por causa do conflito.

Voltei

É isso mesmo que vocês leram. O Brasil foi um dos líderes da resistência na proteção ao governo do... Sudão! Ali, sim, estamos falando de um governo homicida. Os meliantes morais enviaram os tais observadores ao país, e nada aconteceu. Vejam a foto que está neste post. Nesse caso, o governo de Sua Excelência o Apedeuta não vê nada demais. O governo do Brasil não dá bola para 300 mil inocentes mortos. Mas se condói sobremaneira quando terroristas tombam tentando destruir Israel. Sob o pretexto de combater o sionismo, sejamos claros: a posição do Brasil alimenta a suspeita de uma política deliberadamente anti-semita.

Ah, sem dúvida, o gigante Celso Amorim cuida dos nossos interesses. Depois que o Brasil liderou a defesa de um governo genocida, recebeu o agradecimento público do governo facinoroso do Sudão. Leiam trecho de outra reportagem de Jamil Chade:

Depois de conseguir o apoio do Brasil para não ser condenado na Organização das Nações Unidas (ONU) por violações aos direitos humanos, o governo do Sudão deixa claro que essa atitude será compensada. Em entrevista ao Estado, o diretor do Departamento de Cooperação do Ministério das Finanças do Sudão, Abdel Salam, revelou que espera, em poucos meses, fechar um acordo com a Petrobras, além de contratos no setor de açúcar. 'As portas estão abertas ao Brasil', afirmou. Nas últimas semanas, o Brasil tem surpreendido ativistas e governos ocidentais por não seguir a posição de pedir que as autoridades sudanesas sejam investigadas por causa da pior crise humanitária do mundo na atualidade, na região de Darfur. A ONU já deixou claro que tem provas de que o governo do Sudão tem participado do conflito que causou a morte de 200 mil pessoas desde 2003. França, Reino Unido e vários outros países europeus pediam que uma investigação fosse realizada e que os autores do massacre não fossem deixados impunes. Mas com o apoio de Brasil, Cuba, China e dos governos africanos e árabes, o Sudão conseguiu evitar uma condenação na ONU.

Foi só desta vez?

Em 2006, durante a guerra contra o Hezbollah (que foi quem deu início ao conflito com Israel), o Brasil já havia votado contra Israel. Em março de 2007, diante de uma pletora de evidências de transgressão aos direitos humanos no Irã, o que fez o Brasil de Apedeutakoba? Vestiu o turbante negro e preferiu se abster. Brasília também se opõe a qualquer tentativa de condenar a ditadura cubana.

Política externa não é um convento de freiras. Está submetida a interesses objetivos, todos sabemos. Mas há um limite que distingue pragmatismo de delinqüência. E o governo brasileiro já não conhece mais essa diferença. Quem condena Israel, que se defende do ataque de milhares de foguetes do inimigo, mas defende o Sudão fez uma escolha: em favor do terrorismo e do genocídio.

Amorim conduziu a política externa brasileira para a lata do lixo. E isso só demonstra a sabedoria de todos aqueles que fizeram ouvidos moucos quando Apedeutakoba começou a espernear para o Brasil ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Sim, a organização já está quase à baixura do país, mas ainda falta perder muito tamanho.

Está dado: o Brasil condena um país que se defende do terrorismo, mas protege a ditadura assassina de Cuba e tirania genocida do Sudão. Eis a política externa do PT.

PS: Um revistinha aí, candidata ao leite de pata das estatais e do governo federal, diz que este blog já chamou Lula de "apedeuta" seis mil e tantas vezes. Não contei porque tenho mais o que fazer. Deve ser alguma contabilidade vesga e errada feita com a ajuda do Google. De toda sorte, em vez de investigar o meu blog para que eu pare de criticar o governo, essa gente deveria é investigar o governo, não? Não! Não quando se é candidato a puxa-saco, “mas com muita independência e estilo”, é claro.

Vá lá: digamos que eu tenha escrito a palavra 6.500 vezes. Seria pouco. A cada “apedeuta” corresponderiam 46 mortos sudaneses, ignorados pelo cinismo de Celso Amorim. A palavra é certamente branda com amigos de genocidas. Um apedeuta pode até ser simpático e inofensivo. Já um amigo do governo do Sudão é um analfabeto moral.

Por Reinaldo Azevedo



NÃO TENHO VERGONHA DE SER BRASILEIRO!

Heitor De Paola
14/01/2009

Discordo de Reinaldo Azevedo: os ‘brasileiros’ não têm nenhum motivo para vergonha porque um bando de terroristas de Brasília apóia seus coleguinhas de Darfur e de Gaza e se prepara para receber o capo di tutti i capi do Hamas, do Hezbollah, da Jihad Islâmica e de outras bondosas criaturas que só querem se ‘libertar’ da ‘entidade sionista’. Nem eu nem Reinaldo temos razão para ter vergonha, nós que combatemos esta corja do Foro de São Paulo há anos – eu há mais tempo, é verdade.

O que me espanta é ver um colunista conservador usando conceitos coletivistas tipicamente gramscistas tais como ‘os brasileiros’. Quem são ‘os brasileiros’?

Reinaldo Azevedo e José Dirceu
Don Eugênio Salles e Fernandinho Beira-Mar
Olavo de Carvalho e Franklin Martins
Emílio Garrastazu Médici e Lulla da Silva
Villa Lobos e Tati-Quebra-Barraco
Machado de Assis e Paulo Coelho
Graça Salgueiro e Dilma Roussef

Quais termos unem a coluna um à coluna dois? Só um: todos nasceram numa mesma continuidade territorial à qual foi dado o nome de Brasil. Tudo o mais – caráter, moral, compromisso com a verdade, sanidade mental, sem exceção alguma – os separa. Assim como também eram

‘romanos’: Cícero e Catilina
‘russos’: Dostoiévsky e Lenin
‘franceses’: Zola e Robespierre
‘ingleses’: Sir Thomas Morus e Jack, o Estripador

Diferentemente na loteria esportiva aqui não tem ‘coluna do meio’, não há meio termo, os valores são absolutos, o relativismo já pertence à coluna dois. Não existem ‘leituras diferentes’ ou ‘visões divergentes da realidade’. Não se trata de aceitar ‘os contrários’. Se trata de convicções, certezas.
O próprio Reinaldo não costuma tergiversar, é convicto do que pensa quando escreve.
Não tenho vergonha de pertencer à coluna um dos ‘brasileiros’. Nem teria se pertencesse à coluna dois, mas aí por razões diversas: estes ‘brasileiros’ não têm vergonha de nada, são sem-vergonha, pois quem não tem valores morais desconhece este sentimento porque se sente sempre certo! Para esses ‘brasileiros’ vergonhoso é ser conservador, reacionário, ‘preconceituoso’ matar, roubar, estuprar, tirar crianças da escola para treinamento guerrilheiro e usá-las como escudo em nome de uma ‘causa’ é motivo de orgulho e satisfação narcísica psicótica.
Tenho sim vergonha de ter pertencido à coluna dois por alguns anos. Em plena insanidade, fui comunista e quase terrorista. Sim, assim como existem os terroristas, e ex-terroristas – aqui com muitas dúvidas! – existem os quase, aqueles como eu que chegaram a por um pé do lado de lá e tiveram a coragem de pular fora a tempo de evitar perverter ainda mais sua sanidade.

Por estas razões refuto termos coletivos como os citados acima e lemas vazios como ‘Brasil acima de tudo’. Prefiro liberdade acima de tudo! Isto enquanto os ‘brasileiros’ da coluna dois permitirem.

Fonte: http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=645