MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Vale a pena ler de novo: Lembrai-vos de 1654

Um país que não cultua seus verdadeiros heróis, substituindo-os por terroristas, assassinos, ladrões e amotinados, um país que não se orgulha dos feitos dos antepassados, um país sem memória, jamais será um PAÍS na verdadeira acepção da palavra.

Osmar JB Ribeiro


Lembrai-vos de 1654

Leonardo Dantas Silva

(Diario de Pernambuco, janeiro de 2004)

No próximo dia 27 de janeiro transcorrerá o 349º aniversário da Restauração de Pernambuco, ocasião em que os comandantes dos exércitos de mercenários da Companhia das Índias Ocidentais assinaram o termo de rendição pondo fim a 24 anos de dominação holandesa em terras do Nordeste do Brasil.

Segundo o padre Antônio Vieira, em sua História do Futuro, “após uma aventura que lhe custara apenas sobressaltos, eis que o Rei de Portugal se vê presenteado com três cidades, oito vilas, quatorze fortalezas, quatro capitanias, trezentas léguas de costa e desafogaram o Brasil, franquearam seus portos e mares, libertaram seus comércios e seguraram seus tesouros”.

Sós, contando contra si com a apatia real, os mazombos (como eram então denominados os nascidos no Brasil de pais portugueses), reinóis, índios brasilianos, negros de nação, crioulos e mulatos, uniram-se sob o mesmo ideal da insurreição pernambucana. Participando das mesmas tocaias, escaramuças e batalhas – Tabocas (1645), Nazaré do Cabo, Casa Forte (1645), duas vezes em Guararapes (1648 e 1649) –, os pernambucanos conseguiram vencer os exércitos holandeses “à custa do nosso sangue, vida e fazendas”, como proclamava a voz corrente da época.

Em 26 de janeiro de 1654, quando se encontravam isolados por terra e por mar, no Recife e em outras praças, os responsáveis pelo Governo do Brasil Holandês, na ocasião representados pelo general Sigmund von Schkoppe, resolveram capitular, após negociações que duraram 62 horas. Com a rendição incondicional, foram entregues pelos holandeses não somente as praças do Recife e Maurícia, mas todos os redutos até então ocupados na Ilha de Itamaracá, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, capitulação definida pelo Barão do Rio Branco como “a mais importante que registra a História Militar na América do Sul”.

No dizer do padre Antônio Vieira, “pelejando só as relíquias dos pernambucanos com toda Nova Holanda, defendida e presidida com 19 fortes reais, a vencerem toda de Norte a Sul e de cabo a cabo, reconquistando em dois dias tanta terra quanta se não podia andar a bom passo em quatro meses”.

Mas, ao contrário do que aconteceu em 1954, quando Pernambuco comemorou com grandes festas o Tricentenário da Restauração Pernambucana, os 350 anos da rendição dos holandeses parece condenado ao esquecimento. Nenhum órgão oficial, ou mesmo instituições culturais diversas, programou qualquer comemoração assinalando o registro da data, que ocorre exatamente nos primeiros dias do próximo ano.

Hoje, quando só se fala nas comemorações do quarto centenário do nascimento do conde João Maurício de Nassau, em junho de 2004, é bom que nos lembremos de 1654. Sem a Restauração Pernambucana, o Brasil dos nossos dias não existiria, no seu gigantismo continental de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, ou talvez nem mesmo existisse um país com este nome.