MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Revelações perigosas...

Instituto Federalista

Publicado em 15/01/2009.

Todo governo centralizado tem propensão ao auto endeusamento, o de estar acima da lei, e com o tempo, até mesmo da moral. O bom senso também vai por água abaixo. O centralismo, que se traduz em concentração de poder e recursos, induz portanto, ao erro, à estupidez, à atitudes antes inimagináveis.

Nesse sentido, o Brasil, vitima de um modelo excessivamente centralizado de Estado, tem acomodado governos com tendências preocupantes pelas decisões que vem tomando. Vamos a elas:

1. o protesto é geral em todo o País. A concessão de asilo político a um assassino pertencente a um grupo ideológico radical armado italiano, parece demonstrar uma posição ideológica coerente com a do italiano condenado à prisão perpétua na Itália, por parte dos ocupantes do atual governo brasileiro, mas além disso, a imoralidade do fato de se conceder asilo a um condenado proveniente de um país reconhecidamente democrático está escandalizando a todos, e envergonhando o País diante da comunidade internacional – a despeito do que parte da imprensa omite ou distorce. O alinhamento ideológico do governo atual – que não representa a vontade dos brasileiros - parece se consolidar se somarmos os demais atos anteriores, como o seqüestro e deportação dos pugilistas cubanos de volta à Cuba, a perda de mais de US$ 2 bilhões investidos pela Petrobrás na Bolívia, a amizade declarada com Hugo Chaves, Fidel Castro, Raul Castro, Mahmoud Ahmadinejad, e por aí afora. Todos de países com modelos excessivamente centralizados. Com o devido respeito aos povos de cada um dos respectivos países, essas pessoas não são nada confiáveis, democráticas, morais.

2. A possibilidade premente de punir empresas que demitirem é também uma demonstração clara do que pretende o atual governo, facultado pelo centralismo que parece o proteger, blindá-lo cada vez mais. É inaceitável que governos interfiram nas atividades empresariais ou mesmo na Sociedade, mas o que vem ocorrendo no Brasil é cada vez mais preocupante, para dizer o mínimo.

3. A progressiva ruptura do tecido social brasileiro está em curso com a soltura de Marcos Valério, pelo STF. É provável que o Ministro Gilmar Mendes tenha seguido a lei e a Constituição, essa é a função do STF. Não adentramos nas filigranas jurídicas para ter certeza dessa afirmação, mas isso não elide a necessidade inequívoca da revisão da Constituição, do processo criminal e demais legislações anexas, sob pena de se criar uma elite de criminosos ao nível de Al Capone, sem que se consiga condenar alguém que possua recursos, muitos contatos e muitos segredos que o protegem – até que seja eventualmente eliminado, como os prefeitos petistas de Campinas e Santo André, em São Paulo, ou mesmo do famigerado PC Farias, do governo Collor. O que pensa o resto da Sociedade que não detém tal posição?

4. A diplomacia brasileira tinha uma tradição de imparcialidade, seguindo talvez a linha suiça, e sempre foi reconhecida como de grande valor, a ponto de colocar o Brasil como intermediador em alguns conflitos ao longo da História mundial. Com esta inteligente posiçãoo adotada desde o Império, jamais se criou a possibilidade de divisões étnicas ou religiosas no âmbito da Nação. Árabes e Judeus, por exemplo, convivem pacificamente, fazendo negócios e relacionamentos sem nenhum problema ou ressentimentos. Mas, infelizmente, o atual Governo desviou a tradicional isenção diplomática brasileira para uma estranha parcialidade, criando inexistentes ranços até entre não judeus e não árabes, em ferrenhas e até perigosas discussões sobre as razões do conflito que se desenrola no Oriente Médio. Independente do mérito, não nos cabe adentrar nesta seara, há que se frisar que, mais uma vez, não se pode concordar que os ocupantes do Governo Brasileiro representam o pensamento do Povo Brasileiro. Um infeliz posicionamento que, além de criar problemas inimagináveis nos negócios e na política internacional, criou situações "nunca antes vistas neste País".

Vamos parar por aqui. Afinal, é o primeiro editorial do ano. Mas não se pode tapar o sol com a peneira, os fatos estão cada vez mais gritantes, óbvios, e classificados como absurdos, tudo dentro de uma normalidade que banaliza as iniqüidades, criando um sentimento que pode nos conduzir a tsunamis institucionais, após as marolinhas lulianas.

Fica a esperança de que mais e mais brasileiros descubram a relação de causa e efeito dos problemas nacionais, do pessoal ao empresarial, para que se possa tomar uma posição objetiva sobre uma coisa e outra, vislumbrando a solução – a descentralização significativa dos poderes em prol dos estados e municípios. Com a transformação da mentalidade através da disseminação de informação como essa, da relação de causa e efeito, pode-se pensar em transformação do País. A onda da verdade poderá se transformar em tsunami. Porque não?