MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Protógenes: Chumbo grosso em doses homeopáticas!

Protógenes acusa Daniel Dantas de trabalhar para norte-americanos

O delegado da Polícia Federal (PF) Protógenes Queiroz revelou dados
apurados na Operação Satiagraha e apontou o banqueiro Daniel Dantas
como "apenas o braço de algo bem mais poderoso". Na edição deste mês
da revista Caros Amigos, o policial conta que investigou as ligações
do escândalo do Mensalão e aponta o Citigroup como o possível cabeça
do esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro que
abalou o Congresso.

Leia os principais trechos da entrevista:

- A origem não é o mensalão, é a operação Chacal. Estavamos
investigando a Parmalat envolvida em fraude cambial na Itália e no
Brasil. Lavagem de dinheiro e evasão de divisas do Brasil. A
investigação era presidida pelo delegado Elpidio Nogueira. Ele montou
uma estação de trabalho em São Paulo em 2003 e 2004. O Elpidio entra
em parafuso, vai para tratamento. E o Dr. Paulo Lacerda (diretor da
PF) decidiu então ficar em cima da Kroll, junto com a Parmalat. Porque
a Kroll prestava serviço para a Parmalat. E descobre então que a Kroll
era na verdade uma empresa (norte-)americana de espionagem. Uma
estação privada da CIA aqui. Esse volume de dados encontrados vai para
a diretoria de inteligencia da Policia Federal e descobrimos que a
Kroll seria tambem um braço de espionagem que atendia tambem ao grupo
Oportunity e à Brasil Telecom. E nasce uma operação para investigar a
Kroll, que foi a operação Chacal.

- E daí, sai o HD?
- O Oportunity usa a empresa Kroll para investigar seus inimigos, no
governo e no meio empresarial. Isso ai é coisa grossa.. Tem muita
gente grauda no meio. O banqueiro Daniel Dantas, pode mandar muito,
mas ele é apenas o braço de algo bem mais poderoso. Quem sabe o
Citigroup?

- E sobre a prisão de traficantes de dólares do Paraguai para as contas CC-5?
- Quando trabalhei em Foz de Iguaçu começamos a investigar um garoto
chamado Victor Hugo Nunes, bonito, classe média. Transportava dinheiro
do Paraguai e depositava nas contas CC5 do BANESTADO em Foz de Iguaçu.
Sobrinho de uma senadora do Paraguai. Um dia, transportando US$ 3
milhões e uns quebradinhos, de motocicleta, atravessou para o Brasil,
na avenida Kennedy e a gente "bimba". Arrancamos a mochila, cheio de
cheques. Engraçado que ele tinha um disquete já com a compensaçaõ
prévia do banco aonde iria depositar. A coisa era tão sofisticada, que
alám dos US$ 3 milhões, ele trazia alguns cheques já compensados.
Colocava no computador do banco e transferia. E em segundos aquele
dinheiro já era depositado em outro lugar.

- O que aconteceu?
- Quando pegamos alguém importante, logo veio a chiadeira da imprensa,
embaixador, parlamento, Presidente do Paraguai. Na semana seguinte,
devido à repercussão, fecharam as contas CC5 no Brasil. Mas o garoto
continuava preso. Eu disse então ao Juiz: " - Doutor Emersom, ele tem
direito a fiança", e pedi para arbitrar o mais alto possível, para ver
quem o soltaria. Pedi um milhão. O Emersom falou: "- Você está louco,
eu sou juiz novinho, tenho carreira pela frente". Falei: "- Eu também
sou novo, mas se a gente não fizer, não vamos acabar com a lavagem
desse dinheiro... estão sangrando o país, aperta a caneta aí!". Ele
colocou R$ 500 mil de fiança. A estrategia era, com isso, saber quem
iria soltá-lo. Sabia que era alguma autoridade. Alguns dias depois o
garoto foi solto. De quem era o cheque administrativo, assinado e
tudo? Do próprio presidente do BANESTADO, Reinold Stephanes, o atual
Ministro da agricultura.

- E o que aconteceu contigo?
- Depois que comprovei o esquema, para se livrarem fecharam o esquema
das contas CC5. Permaneci mais um tempo em Foz, e uns banqueiros do
câmbio tentaram me comprar. Me ofereceram US$ 5 milhões. Nao aceitei.
Aí fizeram um plano para me executar. Minha esposa grávida, teve que
ir embora. E eu passei a andar com quatro colegas de segurança. Depois
saí de lá.