MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Projeto Rio-Mar: Flutuante Aranapu-Flutuante Horizonte-Flutuante Boca do Mamirauá

Mapa: Posições em 3 e 5/1/2009

Desafiando o Rio-Mar: Flutuante Aranapu/Flutuante Horizonte

"Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam” (Henry Ford).

Hiram Reis e Silva (*)

- Largada para o Flutuante Horizonte

O Cláudio chegou às 6h45min, quinze minutos antes do combinado; atrelamos nossos caiaques à sua ‘rabeta’ e nos dirigimos à boca do Aranapu. O motor de 5,5 HP gemia contra a correnteza forte, o que determinou uma velocidade média de 6,5 km/h. Partimos para nossa jornada, a remo, às 7h50min, com um ritmo calmo, tendo em vista que o objetivo se encontrava a mais de 60 km de distância.

- ‘Paraná’ Envira

Às 9h30min, depois de aportarmos numa pequena praia próxima ao furo que eu procurava para encurtar o percurso, saí para fazer um reconhecimento e confirmei se tratar do ‘furo’. A foto do satélite mostrava uma foz de aproximadamente um quilômetro, que o terreno totalmente assoreado reduzira a uma centena de metros. O areal e a vegetação de imbaúbas e capins indicavam que essas alterações na geografia eram recentes. Depois de um breve repouso entramos no furo, confirmando nossa tese com um ribeirinho que navegava em nossa direção. As praias da margem esquerda estavam tomadas por enormes bandos de gaivotas que, incomodadas com nossa presença, iniciaram uma estridente revoada, quebrando a monotonia dos sons da floresta.

- Outro Furo

Depois da segunda parada, aproximamo-nos de um furo com uns 500 metros de largura, aproximadamente. Como a correnteza que penetrava por ele era bastante forte, decidi alterar a rota inicial e percorrê-lo. Foi uma bela escolha e mais uma vez reduzimos significativamente o percurso. Na saída do furo, novamente no Solimões, paramos numa praia para descansar e reconhecer o terreno.

- Flutuante Horizonte

De acordo com as coordenadas enviadas pelo Instituto Mamirauá, o flutuante se encontrava a apenas 11 km de distância, na margem direita. Dirigimo-nos ao local marcado e, chegando à comunidade Novo Horizonte, fomos informados de que o Flutuante tinha sido transferido para a margem esquerda, em frente, a 4 km na margem direita. A correnteza, no local, era muito forte e seria extremamente extenuante nos deslocarmos até ele depois de remar mais de 60 km. Felizmente, o zelador, Isvon, encontrava-se na comunidade e rebocou os caiques até o flutuante. Descarregamos os pertences e coloquei a ‘malhadeira’ (rede de pesca) na esperança de uma alteração no nosso cardápio.

- Família do Isvon

O Isvon foi buscar a esposa Helen Mara e seu hiper-ativo filho, quebrando nossa nostálgica rotina. A retirada da rede foi uma festa; um pequeno poraquê e uma arraia foram imediatamente devolvidos ao rio e as três branquinhas, a pescada e a cachorra foram preparadas pela Helen para nosso jantar. O Isvon me presenteou com sua camisa de manga comprida, para me proteger das queimaduras solares e dos mosquitos, e eu retribui com uma lanterna (acoplada com rádio, alarme e carregador de celular) que dispensa pilhas sendo recarregada por um dínamo.

(*) Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)


Rua Dona Eugênia, 1227
Petrópolis - Porto Alegre - RS
90630 150
Telefone:- (51) 3331 6265


Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br/
E-mail: hiramrs@terra.com.br


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Desafiando o Rio-Mar: Flutuante Horizonte/Flutuante Boca do Mamirauá


"Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam” (Henry Ford).


Hiram Reis e Silva (*)

- Largada para o Flutuante Cauaçú

Partimos às 5h40min do dia 26, navegando quase um quilômetro rio acima, colados na margem esquerda, pois a entrada do furo ‘Mari-Mari’ ficava, praticamente, em frente ao flutuante, na margem oposta, e a força da correnteza nos impediria de acessá-lo.

- Paraná Mari-Mari

O caboclo da Amazônia não faz distinção entre furos e paranás. Por definição, os furos são canais que ligam o mesmo rio, permitindo, na maioria das vezes, diminuir os percursos. O ‘Mari-Mari’ é um exemplo disso, unindo o Solimões a ele mesmo e encurtando o caminho natural do rio que, no local, faz uma grande volta. O Paraná, por sua vez, é um canal que liga dois rios distintos, como o caso do Aranapu, que liga o Solimões ao Japurá.

Acessamos a entrada do ‘Mari-Mari’ quando o sol iniciava sua caminhada no amazônico horizonte. O furo, relativamente estreito, permitiu-nos admirar a paisagem exuberante de ambas as margens. Mergulhamos de corpo e alma no ambiente que nos cercava, absorvendo seus aromas e sons impressionantes. O nascer do dia estimulava os pássaros, numa esplendorosa melodia em louvor ao sol; ao fundo, um soturno coral de ‘guaribas’ (bugios) complementava a peculiar sinfonia da aurora.

Passamos por um grande coqueiral e por uma casa de alvenaria que, pela grandeza e qualidade da construção, contrastava com o ambiente a sua volta. Ficamos sabendo, depois, que seus donos residiam em Tefé e que criavam tambaquis e pirarucus em lagos situados atrás da sede da fazenda.

- Flutuante Cauçu

Depois de três paradas, chegamos por volta das 11h30min ao flutuante Cauaçu, onde fomos recebidos pelo senhor Manoel. Descarregamos os caiaques e, enquanto o Romeu se banhava, aproveitei para colocar a ‘malhadeira’ (rede de pesca). O Manoel sinalizou com um lugar melhor na margem oposta e ao retirar a rede para recolocá-la, verifiquei que tinha capturado três piranhas, que limpei -‘tiquei’ - para o jantar. Mudei a rede e fui tomar banho. Escrevi um pouco e fui retirar a rede, constatando que ela havia sido levada pelo boto que rondava pelo ‘furo’. Mais tarde, usando um pequeno arpão, consegui pegar duas sardinhas que foram igualmente limpas e ‘ticadas’. O Manoel foi pescar e consegui dois sardinhões que foram degustados com os demais no jantar.

- Largada para a Boca do Mamirauá

Choveu a noite toda. De manhã, aguardamos um pouco o tempo melhorar e, como isso não acontecesse, partimos às 7h15min do dia 27. Houve um contratempo lamentável: o Romeu se distanciou demais, à frente, e perdemos o contato visual. Tentei chamá-lo, pois ultrapassamos um furo que encurtaria, significativamente, o percurso. A chuva aumentou e o perdi de vista. Preocupado, alterei a rota planejada, seguindo-o e, para isso, contornei a ilha e acessei a boca pelo Japurá. Encontrei dificuldade em entrar na boca do Mamirauá pois, embora avistasse as construções da comunidade, o capim ‘memeca’ havia obstaculizado praticamente toda a foz. Estava realizando mais uma tentativa no norte da foz quando avistei um ‘recreio’ entrando. Acelerei a remada e consegui confirmar com uma passageira que eles estavam se dirigindo para a Boca. Mantive as remadas fortes, para não perder o recreio de vista, e chegamos juntos ao nosso destino.

- Senhor Joaquim Martins

Conhecemos o decano da comunidade e um dos alicerces do Projeto Mamirauá. O senhor Joaquim, muito lúcido e falante nos seus mais de setenta anos bem vividos, contou-nos uma série de ‘causos’ e piadas regionais. Na ocasião, aportaram no seu flutuante três pesquisadores do Instituto, sendo um deles a pesquisadora gaúcha Miriam, com quem marcamos uma entrevista em Tefé.

- Resgate do Romeu

Contatamos o Gerente Operacional do Instituto Mamirauá, senhor Josivaldo Modesto, mais conhecido como ‘César’, solicitando seu apoio para encontrar o Romeu, caso ele tivesse se perdido, e ele imediatamente iniciou pessoalmente uma operação de resgate. O Romeu apareceu mais tarde e atrelamos nossos caiaques à ‘rabeta’ do Tito, um dos filhos do senhor Joaquim, que nos conduziu até o Flutuante Mamirauá, onde mais uma vez fomos cordialmente recebidos pelo zelador, o senhor Ivo.

(*) Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Rua Dona Eugênia, 1227
Petrópolis - Porto Alegre - RS
90630 150
Telefone:- (51) 3331 6265

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br/
E-mail: hiramrs@terra.com.br

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