MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

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Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Obama fala para o mundo islâmico


Jornal O Globo - 28/01/2009

Novo tom para o mundo islâmico

Em entrevista a canal árabe, Obama diz que EUA não são seus inimigos e estende a mão ao Irã

DUBAI

Para sua primeira entrevista desde que assumiu a Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama escolheu a emissora árabe Al Arabiya, enviando uma clara mensagem de mudança de tom em relação a seu antecessor. Ele afirmou que seu governo vai estender a mão em amizade ao mundo islâmico, mas que vai caçar organizações terroristas que assassinam civis. Numa linguagem conciliatória, Obama disse ainda que os americanos não são inimigos dos muçulmanos, que israelenses e palestinos deveriam retomar as negociações de paz e que está disposto a dialogar com o Irã se o país "afrouxar o pulso".

Na entrevista, gravada em Washington na segunda-feira e transmitida ontem, Obama procurou ressaltar que usaria a linguagem do respeito e que estava disposto a ouvir em vez de ditar regras.

- Tenho muçulmanos em minha família. Eu vivi em países muçulmanos - disse Obama ao correspondente Hisham Melhem. - Meu trabalho é comunicar ao mundo islâmico que os EUA não são seus inimigos.

A entrevista ocorreu no momento em que seu enviado para Oriente Médio, George Mitchell, chegava ao Egito, numa viagem de oito dias que inclui Israel, Cisjordânia, Jordânia, Arábia Saudita, França e Reino Unido. Obama disse que seu governo quer começar ouvindo palestinos e israelenses, mas que estes devem estar prontos a fazer escolhas difíceis. Ele defendeu um Estado palestino contínuo, mas não especificou datas. E apesar da diferença de tom em relação ao governo Bush, ressaltou que a segurança de Israel continua sendo uma prioridade.

- Acho que é possível ver um Estado palestino, não vou fixar datas, mas que seja contínuo, que permita liberdade de movimento, o comércio com outros países, a criação de negócios para que as pessoas tenham uma vida melhor - afirmou o presidente americano. - Disse (a Mitchell) para começar ouvindo, porque frequentemente os EUA começam ditando (regras).

Ele destacou que o conflito não pode ser discutido sem levar em conta "o que acontece com Síria ou Irã ou Líbano ou Afeganistão e Paquistão".

- É importante estarmos dispostos a conversar com o Irã, para expressar muito claramente onde estão nossas diferenças, mas também onde estão potenciais chances de progresso. Se países como Irã estão dispostos a afrouxar o pulso, eles encontrarão nossa mão estendida.

Na entrevista, Obama adotou um tom diferente de George W. Bush, que usava termos como islamofascismo e cruzadas, que causaram tensão entre muçulmanos.

- Meu trabalho é comunicar que os EUA têm interesse no bem-estar do mundo islâmico, que a linguagem que usamos deve ser a linguagem do respeito. A linguagem conta. Não podemos generalizar uma fé em consequência da violência feita em nome dela.

Ele afirmou que o país vai caçar os terroristas, mas que farão isso dentro da lei. E reafirmou a disposição de retirar as tropas americanas do Iraque e de fechar a prisão da base de Guantánamo, em Cuba.

- Nós às vezes cometemos erros. Não somos perfeitos. Mas, se olharem, os EUA não nasceram como uma potência colonial. No fim das contas, as pessoas me julgarão não por minhas palavras, mas por minhas ações e pelas ações de meu governo.

Hamas elogia 'declarações positivas' de Obama

Se o objetivo era adotar um tom conciliador, Obama parece ter tido relativo sucesso. Após acusá-lo de seguir as políticas do antecessor, o movimento palestino Hamas suavizou suas observações.

- Nos últimos dias tem havido várias declarações, algumas muito positivas, e houve a escolha de Mitchell. Acho que houve aspectos positivos que devemos frisar - ressaltou Ahmed Youssef, integrante do Hamas.

A escolha da Al Arabiya não parece ser ao acaso.

- Os EUA veem a Al Arabiya como um canal árabe amigável, enquanto consideram a Al Jazeera mais confrontadora - disse Lawrence Pintak, diretor do Centro de Treinamento de Jornalismo da Universidade Americana, no Cairo.

Já Hady Amr, diretor do Brookings Doha Center, centro de estudos no Qatar, descreveu a decisão de Obama de dar a primeira entrevista como presidente para uma emissora árabe como impressionante, uma tentativa de "reparar as relações com o mundo islâmico".

Embora árabes tenham fortes esperanças em Obama, alguns analistas dizem que falta dizer como pretende chegar a soluções para os palestinos e o Iraque.

- Temos que baixar nossas expectativas, de que ele tenha uma varinha de condão para resolver nossos problemas - disse o saudita Mustafa Alani.