MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O general Carneiro e a Lapa

Arthur de Lacerda

XII.2008

Distribuo estas notas todos os anos e, a cada um, acrescento-lhe informações: elas sempre são maiores do que no ano precedente. Assim, de modo sempre enriquecido, rememoro uma das glórias do Brasil,e um dos momentos cruciais da nossa vida cívica e militar e um exemplo para os nossos compatriotas.

Aos 9 de fevereiro de 1894 morreu o general Antonio Ernesto Gomes Carneiro, na cidade da Lapa, no Paraná. Nasceu na antiga cidade do Cerro Frio hoje Serro, em Minas Gerais, em 1846. Serro chamou-se, de começo, Vila do Príncipe; a Lapa, chamou-se, de começo, Vila Nova do Príncipe de Santo Antonio da Lapa. Ele nasceu na antiga Vila do Príncipe e morreu na antiga Vila Nova do Príncipe.

Foi comandante do então tenente Cândido Rondon, no estabelecimento das linhas telegráficas no Mato Grosso; morreu aos seus 48 anos de idade e tem descendentes em Curitiba.

Em 1893, verificou-se a Revolução Federalista, em que os maragatos (revolucionários) revoltaram-se, no Rio Grande do Sul, com forças que ocuparam aquele estado, o de Santa Catarina e o do Paraná, em que três cidades resistiram: Tijucas do Sul, por 3 dias, Paranaguá, por 4 e a Lapa.

Era intuito dos maragatos alcançarem o Rio de Janeiro e deporem o marechal Floriano, implantarem o parlamentarismo e, possivelmente, restaurarem a monarquia, abolida em 1889.

Dado o avanço das forças revolucionárias, Gomes Carneiro, então coronel, foi comissionado pelo marechal Floriano, como comandante da praça da Lapa, cuja importância estratégica para a revolução era insignificante.

Apesar desta insignificância, os revoltosos resolveram sitiá-la e ocupá-la, em um cerco que, supostamente, duraria uma semana, se tanto, dada a desproporção de forças: havia 3mil sitiantes contra 900 sitiados.

Graças à bravura do coronel Carneiro e dos seus subordinados (Joaquim Lacerda, Serra Martins, Emílio Blum, Felipe dos Santos e outros), a cidade resistiu por 26 dias.

No dia 7 de fevereiro, em um ataque de metralhadora, Carneiro foi atingido por um projétil no fígado e morreu dois dias depois.

No dia 11 de fevereiro, a Lapa rendeu-se, do que se lavrou uma ata, subscrita pelos chefes dos rendidos e dos ocupantes.

Mercê da resistência da Lapa, as forças governistas (chamadas de pica-paus) organizaram-se e debelaram a revolução, com o que, o regime pode manter-se: a resistência da Lapa assegurou a manutenção do governo de Floriano e a da república.

Tratou-se de um dos episódios mais notáveis da história militar do Brasil e um dos três eventos pelos quais o Paraná adquiriu importância na história do país (os dois outros consistindo no ataque da fortaleza da ilha do Mel ao cruzador inglês Cormorant, em 1850, de que resultou a lei Eusébio de Queiroz que, em 1851, extinguiu a importação de escravos; a fundação da Universidade do Paraná, em 1912, que foi a terceira a ser criada no Brasil e é a mais antiga universidade brasileira).

Na resistência da Lapa sobressaíram a determinação de Carneiro em cumprir o seu dever (resistência a todo transe), a bravura da gente lapeana (civis destituídos de formação militar) e abnegação das mulheres lapeanas (ao partir o derradeiro trem, da Lapa, para Curitiba, Carneiro ofereceu-o às mulheres da Lapa, para que partissem quantas desejassem evitar o perigo dos ataques de que a cidade foi o alvo. O trem partiu vazio: as mães, as filhas, as mulheres, as irmãs dos lapeanos persistiram ao lado dos seus familiares).

Na Lapa visitam-se a igreja, de 1784, dois museus de armas (um deles, situado na cadeia velha), o Panteon dos Heróes (mesmo assim, com “e”), monumento em que jazem Carneiro, Lacerda, Amintas de Barros, Dulcídio Pereira e dezenas de combatentes; a Casa Lacerda, de 1841, museu de época, além do casario antigo do centro da cidade.

É passeio agradável, instrutivo e cultural.

Fonte: http://arthurdelacerda.spaces.live.com/blog/cns!754449FAEB345E0A!260.entry