MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Natalício de Augusto Comte

Natalício de Augusto Comte

2009

Arthur Virmond de Lacerda Neto

Aos 19 de janeiro de 1798 nasceu em Mompilher, França, Augusto Comte, o célebre criador da Sociologia e do Positivismo. Foi professor de matemática, viveu em Paris; morreu em 1857 e o seu féretro foi acompanhado pela brasileira Nísia Floresta Augusta Brasileira.

Na sua obra Sistema de Filosofia Positiva, em seis alentados volumes, analisou o estado das ciências (matemática, astronomia, física, química) no intuito de averiguar o que elas continham de positivo.

O estado de positividade do entendimento humano e das ciências inclusivamente, consiste em adotar-se como princípio de conhecimento, a observação dos fatos, ao invés da imaginação. Corresponde a um conhecimento positivo o que resulta do reconhecimento das realidades.

O Positivismo, como doutrina, adota este princípio como critério e opõe-se à teologia e à metafísica.

Teologia é a forma do pensamento que se desenvolve adotando como premissa a idéia de deus, a crença na existência em um ser sobrenatural, de que se originam princípios morais, religiões e sistemas políticos. Foram teológicos, por exemplo, os antigos gregos e romanos, com os seus deuses Júpiter, Apolo, Baco, Netuno, etc. Metafísica é a forma do pensamento que explica os fenômenos com base em abstrações personificadas, em entidades que existiriam independentemente dos corpos, como o éter, a alma, a natureza, a vontade da sociedade etc.

O Positivismo recusa todo sobrenatural (e portanto, toda divindade) e toda metafísica. Ele explica os fenômenos pela averiguação da existência de regularidades na forma como eles se processam, vale dizer, com base nas leis naturais.

O Sistema de Filosofia Positiva averiguou até onde, ao tempo, haviam as ciências adquirido positividade, que A. Comte instituiu em relação aos fenômenos da sociedade. Criou, assim, a sociologia.

No seu livro seguinte, o Sistema de Política Positiva, prosseguiu o desenvolvimento da sociologia, com a introdução de duas áreas do estudo da sociedade: uma, em que considera a estrutura de todas as sociedade, a estática, ou teoria da Ordem; outra, em que considera a evolução histórica das sociedades, a dinâmica, ou teoria do Progresso.

Instituiu, também, uma nova religião. Religião significa conjunto de princípios de moral, de conhecimento intelectual e comportamento que se filiam a certos pressupostos. Há séculos, as religiões vem sendo teológicas; ele criou um religião positiva: atéia e humanista, baseada no conhecimento da realidade e no reconhecimento da existência da Humanidade. Intitulou, a sua, de religião da Humanidade.

Do conjunto da sua doutrina, resultam algumas conseqüências, dentre outras:

em ética, a fraternidade universal e o senso dos deveres;

em política, o republicanismo e todas as liberdades civis;

nas relações internacionais, o pacificismo;

em economia, a destinação social da riqueza e a elevação social das classes baixas;

em ciência, a sua destinação em prol do ser humano;

em religião, a substituição das formas arcaicas (teológicas) pela forma humanista.

E ainda, como espírito positivista, a busca do melhor do ser humano nas realizações de todos os tempos; o conservar melhorando; o substituir para melhor; a cultura geral como aperfeiçoamento individual.

O Positivismo influenciou grandemente o Brasil, na proclamação da República, cuja bandeira contém o seu lema, "Ordem e Progresso", e incontáveis brasileiros, nas primeiras décadas do século XX: Teixeira Mendes, Miguel Lemos, Silva Jardim, o general Rondon, Aloísio de Azevedo, Euclides da Cunha, Manoel Rebello, David Carneiro, Ivan Lins, Tasso Fragoso, Júlio de Castilhos, Lindolfo Collor, Vicente Licínio Cardoso, além de incontáveis discípulos de A. Comte pelo mundo afora, notadamente na França, como ainda em Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, E.U.A., Argentina, México, Turquia.

A obra de Comte é gigantesca, na sua profundidade, na análise do trajeto histórico da Humanidade, nas reflexões que suscita. Ela é competentemente estudada na Europa e criticada com má-fé e ignorância no Brasil, em que a igreja católica, sobretudo no passado, e o marxismo, sobretudo no presente, atacam-no, aquela como doutrina que substitui deus pela Humanidade; este, pela consideração (grostesca) de que o Positivismo exprimiria uma ideologia à serviço da burguesia capitalista.

Saúde e fraternidade.

Arthur Virmond de Lacerda Neto.
arthurlacerda@onda.com.br

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