MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mulher cacique invasora no Fórum Sexual Mundial


29/01/2009 - 01h01

Uma Cacique Valente

Por Rachel Añón, especial para a IPS/TerraViva

Alegre e agitada, a cacique Tanoné Kariri-Xocó, 50, vende seus artesanatos feitos com penas, sementes e capim-dourado em um stand do Fórum Social Mundial com um sorriso nos lábios. Sem parar um minuto, ela contou luta que trava para proteger sua aldeia nos arredores de Brasília, onde vive desde 1986 com mais 30 pessoas de três etnias Tuxa, Folio e Cariri. O alvo é governo do Distrito Federal que quer retirá-los da área. É neste momento que ela muda o tom de voz e mostra toda sua braveza e coragem para “matar e morrer” se for necessário para ficar no seu chão.

Qual o motivo da sua vinda ao FSM?

Vim acompanhando um grupo que sabe que minha luta na capital do Brasil. Quero falar com as autoridades para resolver nosso caso.

O que você espera daqui?

Fiquei curiosa porque se é um fórum mundial com certeza vão conhecer nossa história e quero saber onde estão os Direitos Humanos para nos proteger. Se eu sou gente, então sou humana e eu exijo meus direitos.

Quais é o problema da aldeia?

Eu estou protegendo área verde, reflorestando com nossas raízes, com as plantas tradicionais da nossa tribo e ele (O governador do Distrito Federal) está querendo destruir para construir uma cidade digital, dizendo que vão manter uma área verde. Tudo isso é mentira.

O que te deixa triste?

É saber que um órgão tão respeitado como o Ibama deve estar sendo comprado por muito dinheiro, porque por pouco só prostituta. Do meu conhecimento, ele foi criado para proteger a natureza e o cerrado que é rico de remédios.

Como se tornou cacique?

Porque no meio de tantos homens que havia lá nenhum tinha coragem de jogar o problema na Justiça. Brigavam um com os outros, mas nada de fazer um documento e levar para ser julgado, como a Raposa Serra do Sol. E eu estou disposta a ir até o Supremo Federal, pois não aceito José Arruda e Paulo Otavio me chamar de invasora de terra pública. Eu sou criadora dos meus filhos e cuido dos meus netos.

E os processos?

Temos seis impugnações na Justiça pra que o Ibama não soltasse a licença para ser vendido o território. Nós não vamos sair de lá, nem que o sangue dê no meio da canela. Se tiver que matar ou morrer, eu estou disposta a matar a morrer, mas não saio de lá.

Do que vive sua aldeia?

Vivemos da roça, das frutas. Fazemos nossos artesanatos com as sementes que plantamos e saímos pelas feiras pelo mundo. Este é o nosso emprego e o nosso salário está nossa mão. Onde vou carrego comigo.


Crédito da imagem: Rachel Añón

(Envolverde/IPS/TerraViva)

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Fonte: http://envolverde.ig.com.br/?materia=55926

Obs.: O FSM, que ocorre em Belém, PA, está sendo chamado de "Fórum Sexual Mundial", devido ao fato de o governo petista ter disponibilizado 600.000 camisinhas para a companheirada farrear. A "aldeia nos arredores de Brasília" a que se refere o articulista cara-de-pau acima fica, na verdade, no Setor Noroeste de Brasília, colado ao Plano Piloto, local nobre e extremamente valioso. Nessa localidade, o governo do DF pretende construir um novo bairro, projeto que está sendo atrasado devido à reivindicação dos índios, que corre na Justiça. Há cerca de 30 anos, indígenas invadiram a área e hoje mentem, dizendo que não podem sair porque lá estão enterrados os seus "ancestrais de tempos imemoriais". Essa safadeza, como sempre ocorre com casos semelhantes, tem o apoio integral da Funai. Os cerca de 30 indígenas da área aceitam sair em paz se o governo pagar uma indenização de R$ 70.000.000,00! Deixando pra trás os ossos dos antepassados que nunca existiram... (F. Maier).