MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sábado, 10 de janeiro de 2009

MST: Tropa de choque do Foro de São Paulo

Quinta-Feira, 08 de Janeiro de 2009

O Estado de S. Paulo

Stedile já pôs militantes à disposição de Evo Morales

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA

A disposição do Movimento dos Sem-Terra (MST) de contrariar a linha de ação do Itamaraty e interesses do Brasil em favor de outros países vem sendo registrada há pelo menos dois anos. Em maio de 2006, em Viena, o presidente da Bolívia, Evo Morales, recebeu um inusitado apoio de João Pedro Stedile, principal líder da organização, à sua "revolução agrária". No encerramento do Fórum Alternativo, Stedile foi além e ofereceu a Morales as tropas do MST para expulsar os "latifundiários brasileiros" da Bolívia.

"Estamos ansiosos, agora, com a reforma agrária (na Bolívia) e esperamos que ela comece pelas terras dos latifundiários brasileiros", afirmou Stedile naquele evento, paralelo à reunião de cúpula da União Europeia e da América Latina.

Ainda em 2006, o líder dos sem-terra tocou outro nervo exposto da relação Brasil-Bolívia. Foi quando assegurou que "o povo brasileiro" apoiava a "estatização do setor de gás" boliviano. Duas semanas antes, Morales editara o decreto de nacionalização do setor e a ocupação de duas refinarias da Petrobrás, abrindo uma crise diplomática.

As declarações de Stedile foram registradas pelo Itamaraty, que, desde o início do governo Lula, evita polêmicas com os movimentos sociais. O próprio Morales teve o cuidado de rejeitar a proposta de Stedile.

Como no caso da Bolívia, o governo tentará anular os efeitos de uma eventual parceria do MST com entidades paraguaias por ações generosas em favor de projetos do presidente do Paraguai, Fernando Lugo.

Em princípio, uma reunião de ministros dos dois países deverá ocorrer ainda neste mês, em Brasília, para tratar do financiamento brasileiro a projetos de infraestrutura no Paraguai. A reunião foi acertada durante encontro privado entre Lula e Lugo em dezembro.


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Quinta-Feira, 08 de Janeiro de 2009

Zero Hora

Abin monitora ''aliança'' entre MST e Paraguai para rever acordo de Itaipu

Governo teme que presidente do país vizinho articule apoio dos sem-terra para mudar tratado binacional

Tânia Monteiro e Roldão Arruda

Por determinação do Palácio do Planalto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) deverá monitorar a aproximação que estaria ocorrendo entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o governo do presidente Fernando Lugo, do Paraguai. A preocupação do governo é com a tentativa de cooptação dos sem-terra pelos paraguaios, com o objetivo de apoiar mudanças no Tratado de Itaipu, aumentando o valor da energia paga pelo Brasil, além de renegociar a dívida. Essas mudanças estavam entre as principais promessas de campanha de Lugo nas eleições presidenciais do ano passado.

O MST está distribuindo entre acampados e assentados material com informações sobre a polêmica, chamando a atenção de seus militantes para os direitos do país vizinho. "No caso da usina de Itaipu, é uma questão de defesa dos princípio da soberania nacional e popular sobre os recursos naturais", disse ontem ao Estado um dos principais líderes nacionais da organização, Roberto Baggio. "A Eletrobrás paga uma bagatela para eles (paraguaios) e quem está ganhando mesmo são os grandes grupos econômicos, estrangeiros, que compram barato essa energia para ter lucro."

O governo brasileiro vê como um problema a eventual atuação do presidente paraguaio em sintonia com os sem-terra. Primeiro, porque seria uma interferência indesejada em assuntos internos, considerando que as autoridades brasileiras já disseram que o tratado é inegociável. E, segundo, porque ocorreria às vésperas do aniversário de 25 anos do MST, que deverá ser comemorado com manifestações de protesto, ocupações de terra e marchas por todo o País.

Acredita-se que a questão do pleito paraguaio será incluída nas manifestações, difíceis de serem monitoradas - devido ao fato de os sem-terra não terem um controle centralizado, cabendo a cada Estado definir o que fazer.

AFINIDADES

De acordo com reportagem publicada ontem pelo jornal Valor, Lugo teria enviado representantes de seu governo para manter contato com movimentos sociais brasileiros e disseminar entre eles o que seriam as verdadeiras razões dos paraguaios - que estariam sendo omitidas pelos meios oficiais.

Lugo, que é bispo e partidário da Teologia da Libertação, sempre viu com simpatia as ações do MST - que nasceu apoiado por bispos brasileiros ligados à mesma linha teológica.

No Planalto, o temor de alguma possível ação do MST é acentuado pelo fato de seus militantes serem bastante organizados nos Estados do Sul, nas proximidade da área de Itaipu.

Além disso, a Via Campesina, organização internacional da qual o MST faz parte, tem ligações com a Mesa de Coordenação Nacional das Organizações Campesinas, que é o movimento dos sem-terra paraguaios.

Segundo Baggio, que também é um dos representantes no Brasil da organização internacional Via Campesina, o MST sempre se interessou pelos problemas dos povos da América Latina. "Vamos continuar informando a nossa base e nos somar com outros movimentos sociais brasileiros."

SOBERANIA

Pela ótica do governo brasileiro, tanto o governo paraguaio quanto os movimentos sociais estariam tentando politizar um assunto que é técnico e jurídico, legitimamente desenhado pelos dois governos, não importando que isso tenha acontecido durante governos ditatoriais - o tratado, de 1973, foi assinado pelos então presidentes Emílio Médici e Alfredo Stroessner.

Por enquanto, o governo não vai se pronunciar sobre as movimentações. As autoridades pretendem apenas acompanhar as mobilizações e declarações sobre o debate, que pode acabar adquirindo tonalidades de nacionalistas contra antinacionalistas. Isso, no entanto, não preocupa o MST. "Nada é mais nacionalista do que defender a soberania de um povo sobre os seus recursos naturais", afirmou Baggio.