MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Guerra do Hamastão: Longe do fim

LONGE DO FIM

Nahum Sirotsky

Posso adiantar que esta guerra daqui está longe do fim e pode terminar antes de ser resolvida a questão por intervenção da comunidade internacional. Israel, pelas evidências, aprendeu importante lição na guerra com o Hizbalá de há dois anos. Tinha os alvos estudados para a hipótese de ter de agir. Os armazéns de armas e arsenais estão sendo atingidos e os túneis entre Sinai e Gaza utilizados para contrabando de armas foram eficazmente bombardeados. Ainda restam inúmeros depósitos a serem destruídos que são protegidos por habitantes acima do solo e são civis. Sabe-se que tais civis vem sendo prevenidos por telefonemas de Israel pedindo se retirem. Sei de até 15 minutos de aviso prévio. Não é problema falar com Gaza cujo sistema telefônico é o israelense. Basta saber que números discar.

O maior número de vítimas tem sido de gente vinculada ao Hamas. Há anos, lembro, falou-se no Brasil de massacre em Nablus. Fui ver e verifiquei ser verdadeira a informação. Estou aqui como jornalista brasileiro. Não caio em propaganda de lado algum. Há minutos captei em emissora de televisão israelense que a tropa do Hamas, guerreiros motivados, treinados para morrerem sem jamais se entregarem, está bem protegida e inteira. E na espera de que a tropa invada para lhe impor pesadas perdas. Obstáculos a blindados, armadilhas cuidadosamente construídas, estão prontos. O Hamas aprendeu com o Hizbalá e o Irã. Tem organização militar, comandantes preparados e estado-maior em subterrâneos.

Mao Tze Tung, o comandante da revolução chinesa, ensinou que a guerrilha deve ser como o peixe na água. O problema é que ela se mistura ao povo quando luta em terreno urbano. Diferenciar o guerrilheiro do cidadão ou cidadã pacifica só acontece quando ele atira. Israel vem autorizando passagem de centenas de caminhões carregados de gêneros e medicamentos. É um fato que a mídia não noticia. Ainda se pratica a antiga definição de notícia como sendo quando o homem morde o cachorro. Às vezes vou saber pela imprensa estrangeira grande feitos do Brasil. Soube de admirável trabalho de assistência técnica da Embrapa pelo mundo. E não sou dos que simpatizam com o governo Lula que passará como todos os outros. Avião da Embraer, empresa que me envaidece, terá um de seus maiores aviões empregado por Israel. A tropa da selva brasileira é estudada em todos os cantos. Não são obras de um só governo. São das instituições nacionais.

Esta guerra exige tempo para forçar o Hamas a pedir um cessar fogo, o Hamas, cuja liderança militar está na clandestinidade e a política na Síria. A imposição da comunidade internacional só será bem sucedida se significar garantias aceitáveis de que o Hamas não se proclamará vitorioso. A derrota interessa a Israel mas também ao Egito, à Arábia Saudita e outros.

Fonte: http://www.puggina.org/detailterceiros.php?recordID=380

Veja Hamastão ou Fatahstão? em http://cartacapital.com.br/2007/06/450/hamastao-ou-fatahstao/view. Veja, ainda, Irã, Hamastão, Fatahlândia e Disneylândia (Israel).