MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Guerra do Hamastão: Hamas precisa de cessar-fogo

Hamas precisa de cessar fogo

Nahum Sirostsky, de Israel

Leio de Marcio Galvão, da Folha de S.Paulo (www.uol.com.br/folha/mundo) que o Irã pediu ao governo brasileiro “reforço nos apelos internacionais por um cessar fogo imediato na Faixa de Gaza”. Como para Teerã o que chama de Estado sionista precisa ser destruído, o apelo é no mínimo estranho.

O enviado do Irã para apresentar o pedido, Mahmoud Mohammed, ministro das Cooperativas, não diz com quem deve ser o cessar fogo pois, pelo que li, não pronuncia o nome de Israel. O texto do Marcio cita o iraniano no sentido de que “o Irã e o governo brasileiro apresentam a mesma linha de pensamento em relação ao conflito e admitem que há um exagero nas ações de Israel na região”.

Mahmoud foi recebido por Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência da República para assuntos internacionais a quem se atribui a inspiração da aproximação do Brasil com o Irã e outras inovações políticas do Itamaraty. Existe um documento do governo iraniano ao brasileiro no qual é proposto apoio brasileiro à “criação de uma rede internacional em defesa do povo oprimido da faixa de Gaza”. Fica explícito que tem apoio de Cuba e Venezuela. Vai à Bolívia. Ele define a situação de Gaza como insustentável.

Existem apelos árabes de realização de uma reunião da Liga Árabe por um cessar fogo. Faz-se referência a centenas de mortos e milhares de feridos de Gaza. Li com a maior atenção. O Irã, consta, é do que mais apoio em armas e financeiro estende ao Hamas, Frente Islâmica de Resistência, que assumiu o domínio da Faixa de Gaza da qual expulsou pela força o que existia da infra-estrutura do governo de Abu Mazen, presidente da Autoridade Palestina. Ele foi eleito depois da morte de Yasser Arafat a cuja liderança se deve o reconhecimento mundial ao direito da proclamação de um estado palestino independente. O Hamas impõe em Gaza o direito islâmico como lei. É uma imitação do Irã que Abu Mazen rejeita; quer estado democrático. Como Israel não governa Gaza e, sim, o Hamas, seria útil saber quem oprime o povo que lá vive? Sequer se teve a consideração de lembrar que o povo é palestino.

Ler com atenção sempre produz resultados. Mas urge saber juntar peças. O cessar fogo foi decidido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ainda não foi aceito nem pelo Hamas nem por Israel. Aqui se encontra Celso Amorim, o ministro do Exterior do Brasil que chegou à noitinha e seguiu direto para um encontro com Tzipi Livni, ministra do Exterior, a quem apresentou proposta brasileira de cessar fogo.

Pela leitura e escuta da mídia israelense e árabe fica-se com a impressão que o Hamas quer um cessar fogo o mais rapidamente possível por estar sem acesso a fontes de armas e munições. Não agüenta mais tempo sem levantar bandeira branca. A liderança política que vive em Damasco, Síria, quer cessar fogo no qual fique configurado não ter havido derrota, questão fundamental para o futuro do Hamas.

O Egito é o grande intermediário entre Israel e Hamas. Na noite local foi anunciado pelas emissoras de radio e televisão de Israel que as forças do Estado judeu impuseram grandes perdas ao Hamas. Estão tão confiantes que autorizam o retorno às aulas das crianças nas cidades mais visadas pelos mísseis Qasams. Anunciou-se que a força israelense está recebendo reservistas para aumentar a pressão sobre o Hamas para que aceite cessar fogo possível. De derrotado. Se for suspensa a luta pelo esforço que vem empenhando junto aos lados o Egito, cuja liderança do mundo árabe o Irã persa, disputa, dará fortíssima reafirmação de sua hegemonia.

Neste mundo bizantino nada é o que parece.