MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Coronel Hiram e o Projeto Desafiando o Rio-Mar


Desafiando o Rio-Mar: Codajás/Anori

"Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam” (Henry Ford).

Por Hiram Reis e Silva (Anori, AM, 15 de janeiro de 2009)

- Codajás

À tarde do dia 13 de janeiro saímos com o secretário de Cultura Cleuci Barbosa Alves para uma volta pelo município. Cleuci nos levou até as plantações de Açaí e ao sítio onde será instalada a usina Termelétrica da cidade, movida pelo gás natural de Urucu. O secretário afirmou que, infelizmente, as empresas contratadas pela Petrobras estão poluindo igarapés e comprometendo vertentes d’água, sem qualquer comprometimento com o meio ambiente. Ao retornar, já na Casa de Cultura de Codajás, fotografei algumas peças de cerâmica indígena encontradas às margens do Badajós. Segundo o secretário, nenhuma instituição científica realizou levantamentos no sítio arqueológico de Badajós.

Gostaria de deixar registrado um agradecimento aos proprietários e funcionários do Hotel Cunha e Cunha pela qualidade das instalações e atendimento prestados.

- Largada para Anori

Acordamos às 04h30min e solicitei à Polícia Militar para antecipar o horário antes agendado, para podermos carregar nossos pertences; partimos às 05h30min. Na primeira curva do rio Solimões fiz uma parada, como era de praxe, para descansar após 01h40min de navegação e 21 km percorridos. O Romeu e a Maria Helena tinham avançado por demais e continuaram remando, sumindo da minha linha de visada. Após tomar um pouco d’água e comer umas bananas, retornei ao rio procurando pelos dois parceiros, com a resolução de parar novamente só após alcançá-los. Mantive minhas remadas compassadas tentando avistar os dois remadores.

- Chegada em Anori

Avistei a foz do Anori e fui novamente saudado por botos tucuxis e um enorme boto vermelho, o maior e mais belo que já havia visto. Ele não possuía nenhum matiz de cinza e exibia seu dorso de um vermelho formidavelmente homogêneo. Ao passar por alguns flutuantes e entrar em um dos acessos ao lago, a correnteza forte me assustou e procurei navegar pelo lado de dentro das curvas. Como já fazia algum tempo que eu não ingerira alimento ou líquido, resolvi saborear algumas ‘araçás’ que abundam as margens do lago. A frutinha, muito semelhante no aspecto e no gosto às acerolas, me revitalizou e consegui, inclusive, emparelhar com um dos motores que se dirigia a Anori e acompanhá-lo até o porto.


- A ‘mão amiga’ da Polícia Militar, da Consag e Prefeitura de Anori

Aportei no flutuante da Consag, mais uma vez. Um dos membros da companhia, que já nos conhecia desde Coari, fez as apresentações e, rapidamente, o caiaque foi guardado pelos amigos da Consag no depósito. Serviram-nos uma caldeirada no flutuante mesmo e acionaram pelo 190 nossos ‘anjos da guarda’ que, chefiados pelo sargento Osmar, apresentaram-se imediatamente no local e carregaram nosso material para a viatura policial. Antes de embarcarmos na viatura, o Sargento Osmar nos apresentou o vice-prefeito do município, senhor Ângelo Barroso, que foi nos receber pessoalmente no porto e nos franqueou a alimentação e pousada na sua cidade. O Osmar saiu conosco para tentar encontrar acomodações nos hotéis da cidade, lotados com funcionários da Consag. Fui levado até o restaurante Cinco Irmãos para nossas refeições e depois de uma busca exaustiva fomos acomodados nos Hotéis SK e Maria Isabel.

- Primeiro dia em Anori (14 de janeiro de 2009)

Tomei um bom banho, lavei minhas roupas, descansei um pouco e me dirigi ao restaurante lá pelas 15h00min para o almoço. A Maria Helena passou pela rua enquanto eu almoçava e eu a chamei. Depois do almoço, fui até a lan house e consegui contatar a minha filha Vanessa, o amigo Araújo e a amiga Mary. Como estava lenta demais, desisti de enviar as fotos de Coari que tinha tirado no último dia. Às 20h00min concedemos uma entrevista, na Rádio Comunitária Anori FM, aos dinâmicos repórteres Roberto e Letícia, que nos agendaram outra para as 08h00min horas do dia seguinte.

- Segundo dia em Anori (15 de janeiro de 2009)

Depois do café, às 07h00min nos deslocamos para a rádio e, no caminho, fomos convidados pela senhora Nazaré, que ouvira a entrevista do dia anterior, para um café. Depois da entrevista, o Romeu foi para o porto para mostrar os caiaques para a gurizada local e eu sai com o Secretário do Turismo e Meio Ambiente senhor Edir Mota Moura. O município carece de um centro cultural e de uma casa de cultura;o balneário planejado pela administração anterior ficou só no papel, enfim, o Secretário tem muito o que fazer... Embora não sejam diretamente ligada à sua pasta, as escolas que visitamos, tanto do município quanto do estado, estão muito longe daquelas que pudemos observar ao longo da calha do Solimões. Embora a infra-estrutura seja fácil de reparar, achamos que o desafio maior seja o de tentar comprometer a comunidade com a manutenção e preservação do patrimônio público. Concluímos nosso tour pela cidade entrevistando duas queridas freirinhas gaúchas, cujo teor da entrevista vamos colocar no blog.

- Agradecimento a Anori

Gostaríamos de agradecer especialmente ao Sargento PM Osmar, ao Vice-Prefeito Ângelo Barros e a seu secretário do Turismo e Meio-Ambiente Edir Mota Alves, ao pessoal da Consag e aos repórteres Letícia e Roberto, da Anori FM, por tornarem nossa estada na cidade tão agradável e produtiva.

(*) Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Rua Dona Eugênia, 1227
Petrópolis - Porto Alegre - RS
90630 150
Telefone:- (51) 3331 6265
Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br/
E-mail: hiramrs@terra.com.br

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Desafiando o Rio-Mar: Codajás/Beruri

“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam” (Henry Ford).

Por Hiram Reis e Silva (Beruri, AM, 175 de janeiro de 2009)

- Largada para Beruri

Como a previsão era subirmos o Purus apoiados por um barco a motor, não nos preocupamos em sair muito cedo. Tomamos café no restaurante ‘Cinco Irmãos’ às 06h30min, e o sargento Osmar, da Polícia Militar, apoiou-nos no transporte da carga até os caiaques. Depois de uma despedida festiva por parte dos amigos da Consag, partimos rumo ao Purus às 08h20min.

Paramos logo em seguida para comer algumas araçás, abundantes às margens do lago; as frutas são semelhantes a pitangas, com sabor de acerola. As águas pretas do lago contrastam com as do Solimões. Voltar ao Solimões, deixando o hospitaleiro povo de Anori - em especial nosso ‘anjo da guarda’ amigo da Polícia Militar Sargento Osmar - nos enche de nostalgia e de expectativa em relação às novas amizades e plagas que iremos conhecer.

- Deslocamento para o Purus

‘A partida para o alto Purus é ainda o meu maior, o meu mais belo e arrojado ideal’ (Euclides da Cunha)

O deslocamento até a boca do Purus foi rápido, graças à correnteza do Rio-Mar. Enfrentamos uma chuva forte que me obrigou a procurar abrigo em um Flutuante para guardar a câmera fotográfica. Chegamos à foz do Purus por volta das 11h e aportamos junto a um grupo de pescadores, aguardando a ‘voadeira’ que nos rebocaria rio acima. Os botos passaram à nossa frente em sentido contrário ao deslocamento que iríamos percorrer. Seria um aviso?

- Tragédia no Purus

O soldado da Polícia Militar de Anori, Pedro Pereira, chegou pouco tempo depois com a ‘voadeira’. O meu caiaque, como era menor, foi colocado atravessado sobre a ‘voadeira’ e o duplo foi rebocado a meia velocidade. Já próximo de Beruri a corda que tracionava o caiaque rompeu. O frágil caiaque da Opium havia praticamente partido em dois e por pouco não naufragou. Conseguimos rebocá-lo até a margem e embarcá-lo em motor que se deslocava rumo à Beruri.

- Hospitalidade Amazônica

Paramos em um flutuante próximo ao porto e o encarregado permitiu que colocássemos os caiaques em um flutuante ao lado, que se encontrava em construção. Fui tentar fazer contato com o Sargento Pereira, comandante da Polícia Militar de Beruri. Estava procurando um moto-táxi quando o professor Cid se ofereceu para me dar uma carona até a delegacia e depois até a residência do sargento.

O Pereira pediu ao filho que me levasse até a delegacia, onde se encontrava a viatura militar, enquanto se fardava. Providenciou um hotel (o Milena) junto ao porto e deslocamo-nos até o flutuante onde o Romeu e a Maria Helena já nos aguardavam.

- 1° dia em Beruri

Após o banho, fui até um telefone público informar a professora Rosângela do ocorrido e pedir a ela que repassasse a informação aos nossos colaboradores e familiares. O Romeu conseguiu alguém para ‘consertar’ o caiaque e eu fui até o restaurante ‘Tudo de Bom’ para tomar um suco de graviola. Enquanto colocava em dia os apontamentos do Rio-Mar, emprestei a máquina fotográfica para a Maria Helena tirar algumas fotos.

- 2° dia em Beruri

Acordei cedo para tirar algumas fotos e tentar entrar em contato com a Polícia Militar. O pouco caso dos agentes e policiais militares desde o dia anterior contrastava com o padrão que encontráramos até então em quase todas as localidades. Pedi à professora Rosângela para tentar entrar em contato com o Major Denildo, de Coari, para ver se através do comandante de Manacapuru conseguíamos um maior apoio por parte da polícia local. Como o restaurante ‘Tudo de Bom’ demorasse para abrir, acompanhei a Maria Helena até o restaurante Mandala para o café da manhã. Mandei um moto-táxi à casa do sargento Pereira e à delegacia e me dirigi a uma lan house para digitar os textos. Decidimos que seria melhor levar o caiaque para Manacapuru e tentar consertá-lo lá, contando com o apoio da Polícia Militar. O Romeu e a Maria Helena partiram no motor Silva Lopes e chegarão hoje à noite. Mantendo o planejamento inicial, sairei amanhã às 06h direto para Anamã.

(*) Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
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Desafiando o Rio-Mar: Purus

“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam” (Henry Ford).

Por Hiram Reis e Silva (Beruri, AM, 17 de janeiro de 2009).

- Ansiedade

Remei forte até chegar ao Purus, a ansiedade tinha tomado conta de mim e eu só pensava em uma coisa, tinha um só objetivo que era conhecer o rio heróico que, aliado à tenacidade e à bravura de um Plácido de Castro, foi responsável por mais uma estrela no nosso pavilhão nacional, o Acre. O rio do altruísmo que, junto à cultura e a abnegação do imortal Euclides da Cunha, permitiu que fossem definidas com exatidão as verdadeiras fronteiras brasileiras com o Peru.

As imagens perpassavam pela minha mente numa fantástica velocidade e eu, ora mergulhando no passado, ora no presente, viajava ao sabor dos acontecimentos de outrora misturados às cenas de agora.

- Purus Épico

O Purus de passagens épicas cobrava um alto tributo à nossa expedição. Parece que o valoroso rio queria dar mostras do seu poder, da sua força, exigindo de nós um respeito e uma atenção digna da sua importância histórica. Por ele haviam passado alguns desbravadores em busca do conhecimento e da fortuna, muitos em busca da simples sobrevivência, idealistas buscando estender nossas fronteiras pela força do direito e guerreiros tentando fazê-lo pelo direito da força.

O Purus não é apenas um rio, mas um protagonista que, junto com homens de valor, gravou belas páginas na história da nossa nação. Homens que enfrentaram o desconhecido, que subjugaram a mata, que a analisaram, estudaram, mas também homens que tiveram suas vidas arrebatadas pela força da natureza e cujos destinos foram manipulados inexoravelmente pelas titânicas energias telúricas.

O Purus merece nosso respeito pelo que foi, pelo que é e pelas contraditórias passagens levadas a efeito na sua calha. Um rio patriota que guarda nas suas águas as imagens imaculadas de um Plácido de Castro e de um Euclides da Cunha. Um rio de ambição e sem consciência, que reflete as carrancas dos ambiciosos seringalistas que escravizaram os seringueiros nordestinos e suas famílias.

O Purus pré-histórico é tudo isso e muito mais. Nas suas calhas, foram descobertos os restos de gigantescos animais - como o Purussauru - que dominavam as águas no Mar Pebas.

Nosso preito de respeito a esta artéria viva da nacionalidade brasileira que reflete, nas suas águas, a pujança de uma raça do porvir, alicerçada no invulgar passado, mas com os corações e mentes voltados para o futuro.

(*) Coronel de Engenharia; professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA); membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB); presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
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Desafiando o Rio-Mar: Beruri/Anamã


“Há mais pessoas que desistem do que pessoas que fracassam” (Henry Ford).

Por Hiram Reis e Silva (Anamã, AM - 18 de janeiro de 2009)

- Largada para Anamã

Ultimei os preparativos para a partida e me recostei para relaxar. Lá pelas 20h um policial militar se apresentou informando que o Coronel Rômulo havia determinado que a PM de Beruri me prestasse apoio incondicional. Pedi apenas que lá pelas 05h30min eles me ajudassem, com a viatura, a transportar o material do Hotel para o caiaque. Os PM chegaram muito antes do combinado, às 04h30min, e acabei partindo antes de clarear o dia às 05h15min.

- 'À hora é à hora'

Recordei uma passagem na Academia Militar das Agulhas Negras, cujo ensinamento guardei para o resto da vida. O então Cadete Reis apresentou o pelotão de engenharia ao instrutor de Educação Física, Cap Serpa, 7 minutos antes da hora prevista. O capitão, sem pestanejar, determinou que eu retornasse com o pelotão e o apresentasse na hora marcada. Na oportunidade, suas palavras textuais foram 'À hora não é antes, nem depois, a hora é à hora'. Desde então tenho pautado meus compromissos seguindo o ensinamento do antigo instrutor. Logicamente não quis causar constrangimentos ao prestativo militar da PM e levantei da cama e alterei minha programação.

- Navegando à noite

O sol só despertou uma hora depois, quando eu já ultrapassava os limites da Ilha de Anamã, no Purus. Ao contrário dos demais alvoreceres, o silêncio era opressor, não havia encantamento, a sinfonia dos pássaros não aconteceu. Apenas o bater das pás dos remos na água, o salto dos botos tucuxis e sua vigorosa respiração quebravam a monotonia.
Minha atenção foi despertada para as alfaces d’água (Pistia Stratiotes) do Purus. Elas são enormes, em toda a viagem não as havia visto tão grandes, algumas alcançam 50 centímetros de diâmetro. Só parei na foz, no mesmo acampamento de pescadores onde aportáramos na ida para Beruri. O rio das contradições, heróico e cruel, deixara marcas profundas na nossa expedição. O Romeu teve de percorrer os 150 quilômetros até Manacapuru de motor, tendo em vista a avaria sofrida pelo seu caiaque. Os amigos pescadores se surpreenderam com a notícia.

- Parada na Ilha

Parei na extremidade de jusante da Ilha do Purus ou Gabriel, afinal agora as duas são uma só, para ajustar o GPS. Calibrei e me dirigi à foz do Anamã. Faltando aproximadamente 500 metros para a foz, comecei a prestar atenção nas embarcações e simultaneamente uma desapareceu na margem, ao mesmo tempo em que os botos tucuxis surgiram no alinhamento da proa e da foz.

- Anamã

Chegando a Anamã acionei a PM, que me ajudou a descarregar o caiaque e estacioná-lo em um flutuante próximo. Fui alojado em um Hotel próximo à prefeitura, tomei um banho e fui almoçar em um quiosque na bela orla do Anamã. A limpeza e o charme das casas de madeira pintadas com cores vivas encantaram-me. Até agora a sujeira, o lixo e os urubus eram uma constante em todas as comunidades e cidades visitadas. Anamã é um modelo para as demais cidades e sua população ordeira e hospitaleira não foge à regra amazônica.


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