MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Chico Dólar deixado aos leões


Deixados aos leões

Marco Sendin (*)

O fato é real. Dia 03 de dezembro de 2008, Brasília - DF. Congresso Nacional. Câmara dos Deputados. Audiência Pública. Comissão Especial de Anistia. Motivo: Entrevista dada pelo Tenente José Vargas Jiménez (Chico Dólar) à revista Isto É em 12 de Novembro de 2008.

O presidente da Comissão é o Deputado Federal do PC do B (BA), Daniel Almeida; o relator, Deputado Arnaldo Faria de Sá do PTB/SP. Ambos querem saber se o expositor possui informações, documentos que possam ser úteis no sentido da aplicação da Lei da Anistia, pois existem dúvidas a respeito de pessoas, provas e fatos que ocorreram na conhecida Guerrilha do Araguaia.

Segue-se a exposição. O Tenente Vargas, Terceiro Sargento do Exército à época da Guerrilha, trabalhou com Curió e comandava 10 homens; morreram 32 guerrilheiros. Toda a história está escrita no livro BACABA – Memórias de um Guerreiro de Selva da Guerrilha do Araguaia, de sua autoria, onde ele relata todos os acontecimentos em que participou, desde a sua preparação até a sua evacuação.

A convocação de Vargas fora justificada por dois aspectos, segundo o Deputado Daniel Almeida: primeiro, pelos direitos das vitimas de conhecerem o paradeiro dos seus entes queridos e para reunir provas com o intuito de identificar formalmente os trabalhadores rurais vitimas dos arbítrios da ditadura, e, com isso, conceder aos seus familiares os direitos a que lhes confere.

Segundo, pela necessidade de se reescrever a história do Brasil e se deixar às futuras gerações um exemplo de compromisso com a verdade e com a liberdade, respaldados no valor à democracia.

O Sargento Vargas, então, cumprindo o quesito nº 1, enumera e nomeia os camponeses e os povoados onde foram presos, de acordo ao Plano de Busca e Apreensão e no Plano de Captura e Destruição, tudo constante no Livro. Dá muitos detalhes importantes.

Falando sobre a segunda pergunta, diz que hoje em dia a mídia e as pessoas que estão no poder divulgam que “nós, os militares na época do regime militar, fomos os vilões e que eles (os comunistas) lutaram contra o regime militar para ter essa democracia que temos agora”

“É uma mentira enorme, é uma grande mentira; eu tenho documentos aqui provando que um dos partidos de esquerda – o PC do B – queria impor o Comunismo no Brasil, através da luta armada. O documento é: O estudo do PC do B para implantação da Guerrilha do Araguaia (1968-1972) – A Guerra Popular do Araguaia”.

Prossegue o militar: “Este documento está comigo há 35 anos, ele foi pego no dia em que foram mortos os 8 guerrilheiros do Comando da guerrilha. Entre eles, Maurício Grabois, comandante das Forças Guerrilheiras do Araguaia – FOGUERA.”

“O PC do B fez estudo, queria impor o comunismo no Brasil, treinou muitos guerrilheiros na China e em Cuba; eles estavam preparados”. Deixou o documento para avaliação do presidente da mesa.

O Estudo é completo e minucioso: por que a região foi escolhida; o objetivo das Forças Armadas Revolucionárias na região (assegurar a sua sobrevivência e garantir um crescimento constante para formar um Exército regular) e muito mais.

Fora à parte, sobre o episódio, ainda escurecido da realidade dos fatos, soma-se o depoimento, já registrado, do ex-terrorista do MR-8, Daniel Aarão Reis: “As organizações de esquerda que defendiam a luta armada era revolucionário, ofensivo e ditatorial; prentendia-se implantar uma ditadura revolucionária. Não existe um só documento dessas organizações em que elas se apresentam como instrumento da resistência democrática”.

Como se vê, os guerrilheiros de ontem, graças a Deus, derrotados e impedidos de criarem uma Cuba brasileira, querem hoje, a todo custo, inverter a história. Querem tornar-se heróis, quando eram bandidos, usurpadores da Nação brasileira.

Por que uma audiência tão importante não chegou ao conhecimento do público? Onde está o livro do Tenente Vargas, que não se lê? Cadê o contraditório? E o pior, as Forças Armadas, por que se calam, por que deixam aos leões aqueles que cumpriram as suas missões em tempos de necessidade?

(*) Marco Sendin é Coronel-Aviador R/1.

Leia Audiência Pública com Chico Dólar em http://resistenciamilitar.blogspot.com/2009/01/audincia-pblica-com-chico-dlar-heri-da.html

Leia o fichamento do livro Bacaba em http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=8994&cat=Ensaios&vinda=S

Pedidos do livro ao autor, ao preço de R$ 40,00: e-mail jos_vargas@yahoo.com.br