MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Barack Obama: tomou posse o novo presidente dos EUA


ANÁLISE

Economia será prioridade de Obama nos primeiros 100 dias

Reuters

Por Caren Bohan

WASHINGTON (Reuters) - Os bons modos, a retórica impecável e a promessa de novas idéias contribuíram para que Barack Obama chegasse à presidência dos EUA com a responsabilidade de resgatar a economia da sua pior crise em várias décadas.

Agora chegou a hora de a opinião pública e os mercados verem se ele será capaz de atender às expectativas.

Ao prestar juramento no cargo, na terça-feira, Obama herdará uma recessão que está se aprofundado, um sistema financeiro em frangalhos, um colapso do mercado habitacional e déficits orçamentários na casa do trilhão de dólares, a perder de vista.

Obama sabe muito bem que conter o declínio econômico será sua prioridade máxima nos cem primeiros dias de mandato.

Na véspera de receber o cargo das mãos de George W. Bush, ele trabalha com os parlamentares para preparar um pacote de estímulo fiscal no valor de 825 trilhões de dólares, e já conseguiu a criação de um segundo fundo de resgate financeiro no valor de 350 bilhões de dólares.

Além disso, promete agir rapidamente para reformar o ineficaz sistema regulatório do setor financeiro, que supostamente permitiu o fiasco das hipotecas "subprime" e os subsequentes problemas que levaram ao colapso de instituições financeiras outrora respeitadas, como o banco Lehman Brothers.

Um desafio mais imediato é assegurar a confirmação do seu indicado para secretário do Tesouro, Timothy Geithner, que enfrenta restrições devido a casos de sonegação fiscal e dúvidas sobre o status imigratório de uma ex-empregada doméstica.

ADMINISTRAR EXPECTATIVAS

Mas talvez nenhuma dificuldade seja maior para Obama do que controlar as expectativas da opinião pública. "Ele é visto de várias maneiras como um potencial salvador do nosso país", disse William Keylor, historiador da Universidade de Boston. "Qualquer coisa que ele conseguir será aquém das extraordinárias expectativas que as pessoas depositam nele."

Tentando reduzir tal carga, Obama vem fazendo alertas sombrios quanto ao futuro. Num recente discurso, ele alertou que o desemprego pode chegar a dois dígitos, e disse aos norte-americanos que esta crise "não é igual a nada que tenhamos visto em nossas vidas", enfatizando que os problemas não seriam resolvidos da noite para o dia.
Um exemplo das enormes expectativas que o cercam são as comparações recorrentes com Franklin Roosevelt, que assumiu no auge da Grande Depressão e criou a mística em torno dos "cem primeiros dias".

Roosevelt aprovou 15 projetos importantes no Congresso nesse período, como parte do seu New Deal, conjunto de medidas que instituiu grande parte da moderna rede norte-americana de proteção social.

Assim como Roosevelt, Obama tem uma maioria democrata no Congresso e um mandato popular que dará impulso à sua pauta.

Mas Keylor e outros historiadores acham as comparações com Roosevelt exageradas. "São fora de propósito", disse Leo Ribuffo, professor da Universidade George Washington, lembrando que em 1933, na posse de Roosevelt, a Depressão já durava três anos e meio e o desemprego era de quase 25 por cento -- bem acima da atual taxa de 7,2 por cento, ou mesmo dos 10 por cento previstos por alguns economistas.

Para Ribuffo, as crises econômicas do final da década de 1970 e começo da de 80 são mais comparáveis à atual, embora os democratas possam achar politicamente interessante estimular tacitamente as comparações com a década de 1930, pois isso ajudaria a criar apoio popular às medidas econômicas de Obama.

META: FEVEREIRO

Obama estabeleceu meados de fevereiro como meta para a aprovação do seu pacote de obras públicas, reduções de impostos, ajuda a desempregados e outras medidas destinadas a estimular a economia.

Uma comissão do Senado marcou para quarta-feira a sabatina de confirmação de Geithner.

Agora que o Senado aceitou liberar os restantes 350 bilhões de dólares do programa de resgate financeiro, Obama terá de cumprir suas promessas de dar mais atenção à questão dos despejos imobiliários e de exigir responsabilidade das firmas que estão recebendo dinheiro do fundo de resgate.

Analistas acreditam que essas prioridades vão dominar a pauta de Obama para questões domésticas. Para Ribuffo, Obama, conhecido por seu carisma, terá de se equilibrar entre inspirar a população e evitar expectativas infladas. Caso consiga fazer isso, e se aprovar o pacote de estímulo e não cometer grandes erros, seus cem primeiros dias serão considerados um sucesso.

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Comentário

F. Maier

Com 80% de aprovação no primeiro dia de mandato, Barack H. Obama assumiu a presidência dos EUA em uma festa espetacular, com mais de 2 milhões de pessoas ao longo da esplanada que vai do Capitólio até o obelisco, em Washington.

Dono de uma voz invejável, com dicção e timbre perfeitos, e uma oratória admirável, Obama, em 20 minutos, fez um discurso conciliador e pragmático. Poderia ter usado o tempo para receber aplausos fáceis, usando frases de efeito e demagogia. Mas não foi o que se viu. Seu discurso foi grave e sereno, porém firme, como deve ser o de quem vai assumir o país com duas guerras externas e uma interna, a guerra econômica.

Obama fez algumas críticas indiretas a Bush e sua política externa, ao afirmar que quer ver logo terminadas as guerras no Iraque e no Afeganistão, mas deixou claro que os objetivos democráticos do país, esboçados pelos "pais fundadores", e a intolerância contra os extremistas vão continuar sendo a marca registrada dos EUA. Obama estendeu as duas mãos aos muçulmanos, e depende apenas deles quererem abrir o punho para também apertar as mãos.

As comentaristas da GloboNews, Maria Beltrão e Lúcia Hipólito, mostraram-se eufóricas com a despedida de Bush, que foi levado até o helicóptero por Obama, com destino ao Texas. Disse Lúcia que temia não estar viva para ver esse dia.

O que os comentaristas da "grande mérdia" esquecem é que Bush teve a difícil tarefa de fazer o trabalho sujo, que, de uma forma ou de outra, tinha que ser feito. Afinal, os EUA foram atacados violentamente por terroristas muçulmanos, com cerca de 3.000 mortos, trabalhadores esses vindos de dezenas de países diferentes, inclusive do Brasil. Queria madame Hipólito o quê? Que Bush pedisse aos terroristas que também jogassem um avião contra o Empire State Building?

Foi correta a guerra americana contra o Afeganistão, por ser na época comandado pelos radicais do Talibã, que davam guarida ao mentor dos ataques contra as torres gêmeas de Nova Iorque e o Pentágono, Bin Laden. A guerra contra o Iraque não tem justificativa. Ela só atendeu aos interesses dos fabricantes de armas. No entanto, hoje um jornalista pode atirar sapatos num presidente em Bagdá, como tentou contra Bush, sem ir para a forca, o que ocorreria se Saddam Hussein ainda estivesse no poder.

As comentaristas da GloboNews falaram também que a "mão invisível está com artrite", uma alusão à frase de Adam Smith em A Riqueza das Nações e à grave situação econômica que vivem os EUA. Pois é: a "mão invisível" - a do livre mercado, do livre empreendedorismo, da liberdade de opinião, da liberdade religiosa e da ética - pode até estar enferma, mas ela fez a pujança dos próprios EUA, que continuam sendo a maior potência econômica e militar do planeta, e de todos os países ricos, inclusive os tigres asiáticos e o dragão chinês. Lúcia Hipólito pode até desdenhar a "mão invisível" que toca o mercado, porém o capitalismo é mil vezes preferível ao Comunismo e seus "gulags invisíveis", que só eram visíveis para os miseráveis que para lá eram levados - em torno de 66 milhões de pessoas, segundo as contas de Alexandre Soljenítsin em Arquipélago Gulag. Será que Madame Hipólito preferiria o "Grande Salto Para a Frente", de Mao Tsé-Tung, que ocasionou a morte de milhões de pessoas na China, por fome? Ou ela ainda ficaria com os gulags, que eram invisíveis aos olhos do Ocidente?

A festa aberta ao povo mostrou Obama em um verdadeiro ambiente evangélico. Seria uma demonstração de que a América ainda reza a Deus, não só os islâmicos? Pastores fizeram orações, tanto para o presidente, quanto para toda a nação americana, ocasião em que as câmaras de TV mostraram um presidente atento e meditativo, assim como os VIPs em volta e as pessoas comuns entre a multidão. Uma mulher recitou uma poesia. Com muitos negros entre a multidão e em volta de Obama, mais parecia uma cerimônia de orações de Martin Luther King em um parque do que a posse de um presidente.

God bless America! E a todos nós também, os cucarachas habitantes do Sul do Equador, governados em grande parte por tiranetes, como Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Cocales, além de outros candidatos a ditador.